segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A maior ameaça à Polícia Federal

Ainda há um contingente profissional na PF. Os abusos denunciados, agora, pela Folha, foram levantados há dois anos pelo repórter Marcelo Auler, e passaram intocados pela mídia corporativista na fase de cumplicidade.

Por Luis Nassif

Acompanhei os primeiros passos da modernização da Polícia Federal. Planejamento estratégico, programas de qualidade, inovação tecnológica, eram os pontos da nova agenda modernizante. Um dos responsáveis externos pelo trabalho me dizia que os policiais colocavam no peito broches saudando a nova PF, e orgulhavam-se da missão proposta, de ser um FBI dos trópicos.

Nos contatos com delegados, ouvia relatos sobre o uso das novas tecnologias e as parcerias com o FBI, que permitiram localizar o comendador Arcanjo, o grande bicheiro de Mato Grosso, cujos recursos ajudaram a expandir o agronegócio local.

A reportagem de hoje, da Folha, sobre o engavetamento de um inquérito interno sobre grampos, apesar de proposto por procuradores, mostra que a Lava Jato contaminou todo o sistema de justiça do Paraná, do judiciário à PF. De empresa modelo, parte da PF se transformou em uma praticante de atos ilícitos. Não apenas nos grampos ilegais, mas na perseguição a delegados que tentaram preservá-la das ilegalidades a que era induzida por Sérgio Moro. E contaram com a plena cumplicidade de juízes paranaenses, aliados dos delegados em ações cíveis destinadas a calar as críticas.

Esse desmonte da PF começou com a Operação Satiagraha e o afastamento do delegado Paulo Lacerda por Lula, curvando-se a pressões do Supremo Tribunal Federal. Na época, o ex-Ministro Márcio Thomaz Bastos procurou a então chefe da Casa Civil Dilma Roussef e praticamente implorou para que convencesse Lula a não efetivar a demissão. A demissão implicaria em romper a paz interna da PF, submetendo-a aos embates internos de grupos partidarizados.

Sou testemunha desse processo. Fui intimado como testemunha de um inquérito interno destinado a apurar suposta venda de dossiês por setores da inteligência da PF contrários à Lava Jato. A denúncia havia partido da revista Veja, seguindo o jogo habitual de procuradores e delegados: plante uma denúncia e, com base nela, abra um inquérito.

Apenas na hora do depoimento me apresentaram o dossiê, indagando se eu conhecia o conteúdo. E aí me dei conta de que a única evidência de “vazamento” era o que havia saído no GGN. Só que era um artigo meu que foi copiado, sem o devido crédito, para dar a aparência de dossiê secreto.

O artigo era sobre a influencia de Rosangela Moro nas APAEs (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) do Paraná, e sua parceria com Marlus Arns, sobrinho de Flávio Arns que, como Secretário de Educação do Paraná, havia destinado R$ 450 milhões às APAEs. O tal dossiê era álibi para atacar grupos críticos da Lava Jato.

Havia publicado o artigo muito antes da Lava Jato. E inclui Rosangela quando Marlus se tornou advogado de delação e um evento na ONU revelou que ela era diretora jurídica da APAE Paraná, que encaminhava a Marlus todas as ações da entidade.

Ainda há um contingente profissional na PF. Os abusos denunciados, agora, pela Folha, foram levantados há dois anos pelo repórter Marcelo Auler, e passaram intocados pela mídia corporativista na fase de cumplicidade.

Agora, a denúncia mostrou o fim da parceria que garantia os abusos da Lava Jato. É possível que, agora, o lado profissional da PF se dê conta dos prejuízos causados pelos delegados que se deixaram contaminar pelo clima da Lava Jato – e que hoje ascenderam à cúpula da PF levados por Sérgio Moro. Eles são a maior ameaça à perpetuidade de uma PF profissional, que volte a ser orgulho do país.

Como ter um cão na Alemanha


Passaporte, microchip de identificação e imposto anual são apenas alguns dos requisitos para ter um cachorro em casa na Alemanha. Série de regras impede a existência de cães de rua.

Por DW – Coluna Alemanices

Uma educação impecável, obediência ao usar o transporte público e nenhum latido de reclamação. Na Alemanha, os cachorros têm um comportamento exemplar. Se encontrá-los na rua, nunca estarão sem seus donos. Eles são bem-vindos em bares, restaurantes, trens e ônibus.

Cães de rua simplesmente não existem, devido a uma série de regras rígidas para controlar o número de animais de estimação no país. Uma lista do que é preciso saber antes de trazer para casa o seu melhor amigo-cão:

Imposto do cão

Além de ter gastos com veterinário e ração, os donos devem pagar o imposto do cão (Hundesteuer), cobrado por mais de 10 mil municípios alemães. É uma estratégia adotada como forma de controlar o número de cães no país.

Todo cachorro na Alemanha possui um registro na prefeitura da cidade onde os donos moram. Os preços variam de acordo com a cidade e, em alguns casos, a raça do cão. Eventualmente, é necessário contratar um seguro para cobrir danos que possam ser causados pelo cão. Pessoas com deficiências físicas que precisam de cães-guia são isentas da cobrança.

Em Mainz, ter um cão custa pouco mais do que 185 euros ao ano. Já em Windorf, na Baviera, o imposto não é cobrado. O imposto arrecadado é usado para serviços gerais da prefeitura, como construção de creches e renovação de prédios municipais. Em 2014, os municípios alemães arrecadaram 309 milhões de euros com o Hundesteuer.

Adestramento

Dependendo da raça, alguns cães precisam passar por aulas de etiqueta. Escolas de cães (Hundeschule) oferecem todo o treinamento necessário. O principal comando é o "sentar-se”. Quando entram no transporte público, os cães se acomodam ao lado do dono e permanecem quietinhos até chegar ao destino.

Passaporte

Desde 2004, é obrigatório que os cães tenham um passaporte para viagens dentro e fora da União Europeia (UE). O documento emitido pela UE traz informações sobre todas as vacinas tomadas pelo cão, o país de origem e o número de identificação do microchip implantado. A emissão do passaporte (EU-Reisepass für Heimtiere) custa cerca de 20 euros e também vale para gatos e o furão doméstico.

Chip implantado

Todos os cães possuem um chip implantando no corpo com um número de identificação. Pode ser nos ombros ou nas costas. O número também é registrado na coleira, que traz o símbolo da prefeitura.

Compra ou adoção

Caso o cão venha de outro país é preciso passar por todos os exames para garantir que o cão tem boa saúde e adquirir todos os documentos necessários. Os cachorros podem ser comprados de criadores de animais ou por anúncios na internet.

Outra opção é adotar. Os abrigos (Tierheime) oferecem todo o cuidado a cães abandonados que vêm, principalmente, do leste europeu. Voluntários se oferecem para fazer passeios regulares com os cães para que eles não fiquem sempre trancados no abrigo.

Para a adoção, o futuro dono precisa provar que tem boas condições para oferecer ao cão, como uma boa moradia.

Na coluna Alemanices, publicada às sextas-feiras, Karina Gomes escreve crônicas sobre os hábitos alemães, com os quais ainda tenta se acostumar. A repórter da DW Brasil e DW África tem prêmios jornalísticos na área de sustentabilidade e é mestre em Direitos Humanos.

Morre na Capital o ex-deputado Walmor de Lucca


Por Sul Notícias


Morreu nesta manhã em Florianópolis o ex-vereador e ex-deputado Walmor Paulo de Lucca. Ele teria passado mal no café da manhã. “Ele tinha vindo a Içara na última semana. Conheceu algumas propriedades em Içara, os projetos do Governo, mas essa semana acabou falecendo”, lamentou o prefeito de Içara Murialdo Gastaldon.

De Lucca tinha 81 anos, era Farmacêutico de formação, mas abraçou a política ainda muito jovem. Foi eleito vereador de Içara em 1966, depois deputado Federal, presidente da Telesc, da Casan e Secretário de Saúde. “Era um grande democrata, defensor do desenvolvimento econômico e a justiça social. É uma perda considerável para a política. O velório deve será na Câmara de Vereadores”, ressalta o prefeito

Natural de Içara, Walmor concluiu os primeiros estudos e o ensino secundário, transferiu-se para Curitiba/PR, onde se formou em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1962.

Iniciou a vida política em 1966, eleito Vereador em Içara/SC, para o período de 1967 a 1970, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido do qual foi um dos fundadores no município.

Pelo MDB, elegeu-se Deputado Federal por Santa Catarina, com 41.691 votos, para a 45ª Legislatura (1975-1978). Durante o mandato, exerceu a Vice-Presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a aquisição de hospitais pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), e foi Vice-Presidente da Comissão Permanente de Minas e Energia, e Suplente da Comissão de Saúde.

Nas eleições de 1978, pelo MDB, renovou mandato na Câmara dos Deputados, eleito com 45.013 votos, compondo a 46ª Legislatura (1979-1982). Exerceu a função de 4º Secretário da Mesa Diretora da Casa, entre 1979 e 1981, e de Vice-Líder da bancada do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em missão parlamentar, visitou o Líbano e a Síria, a convite da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), e viajou para Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde foi delegado observador na II Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), que abordou o direito do mar.


Reeleito Deputado Federal no pleito realizado em 1982, pelo PMDB, obteve 72.853 votos, tomou posse à 47ª Legislatura (1983-1986). Integrou a CPI sobre o polo petroquímico do Sul (1986) e visitou Angola em missão parlamentar, a convite do Governo do país africano. Manteve-se no posto de Vice-Líder do partido na Câmara e participou da Comissão Permanente de Finanças.

Em 1986, elegeu-se Deputado Federal, com 41.686 votos, para a composição da 48ª Legislatura (1987-1991). Integrou a Assembleia Constituinte de 1988 (Constituição assinada em 5 de outubro de 1989), a Subcomissão do Sistema Financeiro e a Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças. Licenciou-se do mandato, entre 1989 e 1990, e assumiu a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, nomeado pelo Governador Pedro Ivo Campos.

Pelo PMDB, candidatou-se pela quinta vez ao cargo de Deputado Federal nas eleições de 1990, com 20.046 votos, conquistou a posição de Suplente, mas não foi convocado pela Câmara.

De 1991 a 1992, ocupou o cargo de Assessor Parlamentar do Ministério da Saúde.

Presidiu as Telecomunicações de Santa Catarina (TELESC), entre 1993 e 1995.

Foi Presidente da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN), de 2003 a 2011, nomeado pelo Governador Luiz Henrique da Silveira. 

Em 2007, assumiu como Diretor Vice-Presidente da Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (AESBE).

domingo, 8 de setembro de 2019

AGU proíbe advogados públicos de exercerem atividades privadas

Advogado-geral da União, André Mendonça – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Por Andre Richter - Reporter da Agencia Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu proibir advogados públicos de participar de atividades privadas de resolução de conflitos paralelamente ao exercício dos cargos no serviço público. Com a medida, publicada na semana passada, os membros da AGU estão proibidos de atuar em causas particulares de arbitragem, mediação, conciliação e compliance.

A medida foi assinada no dia 30 de agosto pelo advogado-geral da União, André Mendonça, e reconhece que as atividades privadas são incompatíveis com o serviço público. As regras valem para as carreiras jurídicas da AGU, da procuradoria-geral federal e procuradoria-geral do Banco Central. Conforme a Orientação Normativa 57, os servidores que realizam os serviços particulares terão prazo de 60 dias para interromperem as atividades privadas.

O advogado-geral seguiu um parecer elaborado pela Corregedoria Geral da União a favor da proibição. De acordo com o parecer, exercer atividades privadas estando no cargo público é ilegal.

“Entende-se que a prática de tais atividades é incompatível com o exercício das funções de advogados públicos federais, tendo em vista a grande possibilidade de interferência imprópria na prestação do serviço público prestado pela AGU, a possível utilização de informações privilegiadas obtidas no âmbito da Instituição e, especialmente, pela natureza intrinsecamente correlata da advocacia pública e das atividades ligadas à arbitragem, mediação, conciliação, negociação e compliance”, diz o parecer.

A análise do caso começou em 2016, quando 11 advogados da AGU pediram autorização ao conselho de ética do órgão para atuarem em atividades privadas de mediação e arbitragem. Em 2017, o conselho autorizou o trabalho com restrições, desde que as proibições fossem cumpridas, como resguardo de informações sigilosas, cumprimento da jornada de trabalho e do horário de funcionamento do órgão.

Nos anos seguintes, diante de mais pedidos de autorização, passaram a ocorrer divergências entre os corregedores do órgão sobre a legalidade da medida. Em novembro de 2018, a comissão de ética mudou seu posicionamento e proibiu o exercício dessas atividades aos membros da AGU.

Previdência: como ficam os direitos das pessoas com deficiência após passagem na CCJ do Senado?

Relatório aprovado na Comissão do Senado estabelece no texto que nenhuma pensão do INSS será inferior ao salário-mínimo (Foto: Stoodi)

Por Ana Claudia Mendes Figueiredo – GGN

Foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, na última quarta-feira (4), a complementação do relatório do senador Tasso Jereissati acerca da Reforma da Previdência (PEC 6/2019). O texto segue agora para apreciação pelo Plenário do Senado.

O Relator acolheu algumas emendas supressivas de dispositivos e também emendas de redação. Já as emendas que modificariam a PEC 6/2019 foram rejeitadas no âmbito dessa proposta e incluídas na chamada PEC paralela (PEC nº 133/2019). Com isso foi evitado o retorno do texto à Câmara.

Beba na Fonte> Blog do Nassif.

Lava Jato tramou contra Lula e Dilma e mudou a história do Brasil

É gravíssima a reportagem publicada hoje pela “Folha de S.Paulo” e o “The Intercept Brasil” com o título “Conversas de Lula mantidas sob sigilo pela Lava Jato enfraquecem tese de Moro”.

Por Kennedy Alencar 
Brasília

É gravíssima a reportagem publicada hoje pela “Folha de S.Paulo” e o “The Intercept Brasil” com o título “Conversas de Lula mantidas sob sigilo pela Lava Jato enfraquecem tese de Moro”.

A reportagem revela que Moro, policiais federais e procuradores da República agiram para interferir no processo político a fim de evitar a nomeação de Lula para a Casa Civil no governo Dilma e contribuíram para radicalizar o ambiente político no país, tramando a queda da então presidente do PT do poder.

Leiam a reportagem e os diálogos na íntegra no final deste texto. Procuradores celebram estratégia política e ilegal. Sem humanidade, chamam Lula de “9”, numa referência pejorativa aos nove dedos do presidente, que perdeu um deles em acidente de trabalho. Deixam claro que seguiram orientações de “Russo”, apelido de Moro, que agiu como acusador e não juiz na Lava Jato. Todos demonstram ter ciência de que praticavam ilegalidades e alguns zombam disso no Telegram. Neste episódio, vazaram o que interessava para manipular a opinião publica, criar mobilizações nas ruas contra o governo e envenenar o debate político.

Moro, agentes da PF e procuradores mantiveram em segredo diálogos de Lula com o então vice-presidente Michel Temer na busca de um entendimento para evitar o impeachment. Esconderam também toda a hesitação do petista em aceitar ser ministro da Casa Civil. Quem acompanhou os bastidores de verdade e tinha informação na época sabe que o motivo principal daquela articulação era tentar salvar o governo, não obter foro privilegiado no STF.

Mas a Lava Jato, ciente disso, manipulou a opinião pública e mudou o rumo da história do país para que chegássemos hoje ao governo Bolsonaro. Até agora, muita gente dizia que a Lava Jato contribuiu para o impeachment. Essa reportagem mostra que a Lava Jato atuou para que Dilma fosse derrubada e jogou ilegalmente para prender Lula. Isso não é papel do sistema judicial. É uma forma de corrupção grave. Autoridades públicas têm compromisso com a lei que os criminosos não possuem.

Se as ações de Moro, delegados da PF e procuradores da República são um combate legal à corrupção, o país está frito. Está nas mãos de um estado paralelo que persegue inimigos políticos. Ontem foi Lula. Amanhã serão os críticos desses messiânicos que abusaram do seus poderes.

Se o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República, o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Congresso tinham dúvidas de que precisam tomar providências para investigar e punir crimes e abusos de poder das estrelas da Lava Jato, a reportagem de hoje elimina qualquer hesitação ou objeção a uma resposta dura da parte de nossas instituições.

Leiamreportagem. Vejam os diálogos da Lava Jato sobre conversas de Lula. Leiam os resumos de conversas grampeadas de Lula com Temer e aliados.

Tirem suas conclusões se são métodos de um Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal de uma democracia plena ou de uma república de bananas. A lei e o jornalismo devem valer para todos. A Vaza Jato está dando uma contribuição ao combate à corrupção no Brasil. Só não enxerga quem não quer.

O PT FOI PRAGMÁTICO PARA CHEGAR AO PODER. MAS SE RECUSA A DAR AS MÃOS NA HORA DE DEFENDER O PAÍS

Ou os democratas se unem agora contra o governo fascistoide, ou na próxima eleição elegeremos um presidente para administrar os escombros.

Por João Filho - No The Intercepty Brasil

AS ELEIÇÕES DE 2022 já começaram. Ainda é cedo, mas os ataques mútuos entre Doria e Bolsonaro marcam o início da disputa para atrair o eleitorado identificado com a direita. Enquanto isso, a esquerda segue dividida, desarticulada e paralisada diante da violência do bolsonarismo no poder.

Na última segunda-feira, foi lançado na PUC, em São Paulo, um manifesto que busca reorganizar a oposição. Batizado de “Direitos Já! – Fórum pela Democracia”, o movimento é uma tentativa de formar uma frente ampla em defesa da democracia contra os ataques do governo Bolsonaro. O nome do movimento é uma referência às Diretas Já, criado no início dos anos 1980, quando o campo democrático, ainda sob a ditadura, se uniu para reivindicar eleições presidenciais diretas.

Representantes de 16 partidos e integrantes de diversos segmentos sociais estiveram presentes na PUC. Nomes importantes como Flávio Dino, do PCdoB, o pedetista Ciro Gomes, Márcio França, do PSB, Marta Suplicy, hoje sem partido, deixaram as rusgas de lado em nome da defesa da democracia. Nomes como Kassab (PSD) e os tucanos FHC, Alckmin e Anastasia mandaram mensagens de apoio. É…eu sei, mas uma frente ampla contra a barbárie não pode ser encarada como um clubinho de amigos, mas como um movimento heterogêneo, que reúne amplo espectro da sociedade em torno da defesa de valores democráticos.

ngolir alguns nomes de centro-direita me parece um preço razoável a se pagar pela defesa da civilização. O avanço da extrema direita não é uma exclusividade brasileira. A formação de frentes amplas desse tipo tem sido a saída que os democratas de vários países encontraram para combater governos autoritários. Não se trata mais de esquerda x direita, mas de civilização x barbárie.

A missão do movimento é complicada. Há muitos traumas decorrentes do impeachment, e juntar opositores tradicionais não é fácil. Mas me parece evidente que a ampliação do arco em apoio à defesa dos valores democráticos é o único caminho possível para o enfrentamento à escalada do autoritarismo. Infelizmente nem todos no campo progressista pensam assim.

Petistas também participaram do evento, alguns até ajudaram na organização. Mas nenhum dirigente compareceu, o que indica que o partido não irá entrar de cabeça no movimento. Fernando Haddad, que chegou a participar da gestação do grupo em maio, confirmou presença no evento, mas simplesmente não apareceu. Não mandou um recado para ser lido no evento como fizeram outros ausentes, nem mandou um representante. Assim como Haddad, o psolista Guilherme Boulos também participou das primeiras reuniões, mas decidiu não comparecer. Também não havia nenhuma liderança do PSOL presente.

Líderes políticos de 16 partidos se reúnem no teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo para o evento “DireitosJá! Fórum Pela Democracia”, lançando um manifesto em defesa do Estado Democrático de Direito. Reprodução: YouTube/TVPUC

A assessoria de Haddad informou que ele teve que receber uma pessoa em casa em um compromisso pessoal. Segundo a jornalista do Estadão, Sonia Racy, “fontes petistas admitiram que o partido fez forte pressão para que Haddad não fosse. Motivo: à sigla não interessa dividir o protagonismo na oposição. E ela não abre mão da bandeira ‘Lula Livre’ na linha de frente do movimento”. O partido decidiu não se envolver institucionalmente com o movimento por não poder controlar suas pautas.

Nas redes sociais, parte da militância petista colocou em dúvida a informação do Estadão, dizendo que o PT não participou porque o evento foi organizado pelo PSDB. Não é verdade. O principal idealizador do movimento é o sociólogo Fernando Guimarães, um tucano que lidera uma corrente de esquerda dentro do PSDB. A criação do Direitos Já enfureceu a cúpula do PSDB em São Paulo, que pediu a sua expulsão.

O PT segue tendo Lula Livre como a sua principal bandeira, para não dizer a única. É uma pauta justa, legítima e importante. A Vaza Jato trouxe provas definitivas de que o ex-presidente foi acusado por procuradores comprometidos com causas políticas e condenado sem provas por um juiz parcial e igualmente alinhado a causas políticas. A condenação de Lula é fruto de um processo de deterioração das instituições democráticas, que culminou com a eleição de Bolsonaro e se intensificou brutalmente com seu governo. Na minha opinião, a defesa de um ex-presidente que foi vítima de um julgamento político deveria ser uma bandeira fundamental de todos que estão dispostos a defender a democracia, mas não é essa a realidade.

Há muita gente no campo democrático que discorda de que essa seja uma boa estratégia no combate ao bolsonarismo. Não há como fugir disso. Infelizmente, o cacoete da hegemonia fala mais alto, e o PT se recusa a participar de qualquer movimento que não tenha a liberdade de Lula como bandeira principal. É incrível notar que o partido, que teve seus governos marcados pelo pragmatismo e que se aliou no ano passado a partidos que derrubaram Dilma, se recuse a dar esse passo atrás em nome da luta contra a selvageria bolsonarista.

As lições da última eleição foram ignoradas. As pesquisas indicavam que apenas Lula venceria Bolsonaro em um segundo turno. Com a confirmação de que o ex-presidente não poderia disputar, o partido escolheu Haddad de última hora, apostando que a transferência de votos de Lula para o candidato do PT aconteceria de forma natural. Àquela altura, já estava claro que o antipetismo era mais forte que Haddad. Era a hora de recuar e compor com Ciro Gomes na cabeça de chapa para tentar evitar a tragédia Bolsonaro. O nome do pedetista aparecia nas pesquisas como o único com chances de derrotar Bolsonaro no segundo turno. Mesmo assim, Ciro não seria garantia de vitória, pelo contrário. As chances de perder também eram grandes. Mas ali poderia ser o início da construção de uma oposição sólida ao bolsonarismo.

Mas o PT preferiu perder como protagonista do que tentar ganhar como coadjuvante. A estratégia foi boa para o partido, que perdeu a eleição, mas manteve a hegemonia no campo oposicionista ao formar a maior bancada na Câmara. Mas foi ruim para o país, que, após oito meses, está com uma oposição enfraquecida e desarticulada para enfrentar o desmonte avassalador do estado brasileiro.

O PT é o maior partido do Brasil. Tem uma forte base social, alcance no país inteiro e, mesmo com a devassa sofrida pelo conluio lavajatista, conseguiu eleger a maior bancada da Câmara. Difícil imaginar um movimento de oposição efetiva ao bolsonarismo sem a participação do partido. Infelizmente, até aqui tudo indica que os seus dirigentes não irão se engajar nessa frente ampla por temer a perda da hegemonia.

Ou os democratas se unem agora contra o governo fascistoide, ou na próxima eleição elegeremos um presidente para administrar os escombros.

O partido crê que o protagonismo é um direito natural devido ao seu tamanho, à sua força. Isso faria todo sentido se a democracia estivesse sob condições normais de pressão e temperatura, o que definitivamente não é o caso. O antipetismo hoje é maior força política do país. É tão forte que elegeu um homem que disse “vamos fuzilar a petralhada” durante a campanha. Esse é um dado da realidade que não pode ser mais ignorado. O bolsonarismo não é uma força política convencional. É liderado por um ex-militar rancoroso, autoritário, imbuído da missão de desmontar o estado, agradar a horda de seguidores fanáticos e passar o trator em cima de quem pensa diferente.

O PT calcula que o melhor a se fazer é deixar Bolsonaro sangrando até 2022, perdendo popularidade e, assim, derrotar a direita nas urnas. É um erro. É subestimar mais uma vez a força avassaladora do antipetismo, que não vai sumir do dia para noite. Corre-se o risco de não se ter nem democracia nem Lula livre. Como disse o linguista americano Noam Chomsky, presente no evento do movimento Direitos Já, “o componente central da esquerda é o PT e o partido ficou desacreditado, parte por motivos certos, parte por má propaganda e campanhas ultrajantes nas redes sociais das quais não se recuperou”.

É urgente juntar as forças democráticas, criar um diálogo plural, formular propostas comuns e criar condições para uma oposição efetiva. Não há mais espaço para disputa de hegemonias e imposições. Ou os democratas se unem agora contra o governo fascistoide, criando uma narrativa única em torno da defesa dos valores democráticos, ou na próxima eleição — se houver eleição! — elegeremos um presidente para administrar os escombros.