sábado, 27 de junho de 2026

Recurso de quase R$ 1,3 milhão para asfalto em Itapirubá é confirmado pelo Estado

 

Proposta prevê fresagem (remoção do asfalto atual), recapeamento e sinalização viária na avenida Juscelino Kubitscheck e rua Emílio Battistella. (Foto: Luís Claudio Abreu/Agora Laguna/29.nov.25)

A verba de R$ 1,29 milhão para asfaltamento do acesso a Itapirubá Sul foi confirmada pelo governo do Estado. A portaria de autorização do repasse por transferência especial foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial, na noite desta sexta-feira, 26. 

O repasse será em duas parcelas. O recurso é parte de emenda impositiva inserida no Orçamento pelo deputado Sérgio Guimarães (União) e já havia sido antecipada pelo prefeito Peterson Crippa (Republicanos) em março. 

A proposta prevê fresagem (remoção do asfalto atual), recapeamento e sinalização viária na avenida Juscelino Kubitscheck e rua Emílio Battistella. 

Carregadeira 

O Diário Oficial também informa a liberação de mais R$ 310 mil para a aquisição de uma carregadeira compacta e implementos para a Secretaria de Obras em parcela única. O deputado autor da indicação não é mencionado na liberação. 

Por https://agoralaguna.com.br/2026/06/recurso-de-quase-r-13-milhao-para-asfalto-em-itapiruba-e-confirmado-pelo-estado/ 

O século dos imbecis

 

A partir da obra de Valter Hugo Mãe, uma reflexão sobre o avanço da ignorância, a erosão democrática e os desafios do nosso tempo. 

Por Núbia Silveira no 3 RED (Rede Estação Democrática) 

 O título deste texto é o do último romance do angolano Valter Hugo Lemos, internacionalmente conhecido como Valter Hugo Mãe. O livro comemora os 30 anos de sua carreira literária. E revela o “processo de desilusão” que o escritor vive em consequência das “decisões coletivas” tomadas pelo “mundo afora”. Desilusão que vem afetando a muitos de nós, que acompanhamos os desdobramentos políticos, aqui e acolá. 

Ao repórter Luís Ricardo Duarte, do suplemento de cultura do diário português Público, Mãe se disse, em entrevista publicada no dia 19 de junho de 2026, “perplexo e frustrado” por ver que “ao invés de estarmos interessados na sofisticação da consciência humana, andamos fascinados com o regresso a uma certa infantilidade”. Me sinto representada tanto na perplexidade e na frustração quanto na sua percepção de que a humanidade deixou de caminhar “no sentido de se afastar do ‘bicho’ que foi”. “Ora, neste instante, parece que estamos a desistir desta caminhada, perdendo capacidades, como se fizéssemos o percurso inverso, e estivéssemos a regressar ao tal ‘bicho’ que já fomos”, disse ele ao repórter Filipe Luís, da revista portuguesa Visão, de 18 a 24 de junho de 2026.  

A realidade que nos assusta e ameaça com tantas voltas atrás, com perdas de direitos pelos quais lutamos por décadas, se explica pela “glorificação dos estúpidos”. Atualmente, vivemos o que o escritor qualifica de “um tempo de ignorância feliz”, em que a ignorância e a imbecilidade, antes mal-assumidas, são agora, desavergonhadamente, aceitas e defendidas. Eis aí, me parece, algo a ser cada vez mais denunciado e debatido. É inadmissível aceitar a exaltação do desconhecimento, da mentira e da violência. 

Nas entrevistas, Mãe revela que o título dado ao livro “não anda longe de uma certa vingança, da vontade de dar nome a alguns bois”. Imaginamos alguns (ou muitos?) deles, não é mesmo? 

Interessantes são os alertas dados pelo entrevistado sobre os perigos que vivenciamos e que devemos combater. Um deles: “Não se vislumbra qualquer transformação positiva e isso faz de nós uma geração suicida”. Outro: “Aproximamo-nos de uma cidadania demissionária”. De uma cidadania “cada vez menos participativa, cada vez menos capaz e cada vez mais interessada no lúdico, interessada numa satisfação imediata e, eventualmente, improdutiva, em que substituímos o ‘saber fazer’ por uma espécie de passividade, uma passividade de ‘observador’”. Como aumentar a participação? Este me parece ser o grande desafio, principalmente, neste momento em que nos preparamos para definir o nosso futuro como nação independente e soberana. 

Para mim, o maior recado do angolano trata do que pode resultar da ignorância vivida neste século da informação: 

– Que dramático será concluirmos que a democracia é uma desvantagem, porque não investimos na instrução básica e ética da população. O grande desafio que enfrentamos é confrontarmo-nos com uma humanidade despreparada para decidir sobre si própria. 

E aqui mais um grande alerta de Mãe: “Não faltam por aí formas de enfraquecer as democracias, numa aposta deliberada na estupidificação das pessoas e na afirmação de regimes autoritários. Como se apenas uma elite pudesse continuar a qualificar-se, como se a humanidade fosse novamente dividida pela ideia de castas. A desumanização das multidões em prole de elites torpes e maldosas, tão elementares e assumidas, tão indecorosas, é uma caricatura da própria tirania, com toda a sua burrice, infantilidade e violência”. 

Sim, há muitas formas de enfraquecer as democracias. No entanto, em tempos de internet, controlada por quem mostra ter “uma enorme miséria ética e humana”, é impossível conhecer e dominar todas as formas que serão utilizadas contra as democracias em favor das tiranias e de seus asseclas. Portanto, precisamos nos manter vigilantes, sempre atentos às narrativas que não passam de mentiras e acobertam ações contra a democracia e que pintam o autoritarismo como o melhor regime sob o qual se viver.  

PS: Valter Hugo Mãe lançará O Século dos Imbecis durante a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorrerá de 22 e 26 de julho. 

 

Foto de capa: Divulgação | IA 

Novo Desenrola renegocia R$ 5,5 bilhões em dívidas com descontos de quase 80%

 

Apesar do sucesso, endividamento das famílias continua em alta. Mas existe expectativa de desaceleração da inadimplência.

Da Redação* 

A Caixa Econômica Federal informou nesta sexta-feira (26) que o programa Novo Desenrola Brasil já renegociou R$ 5,5 bilhões em dívidas. Os acordos tiveram desconto médio de 79,3%, beneficiando pessoas físicas, empresas, estudantes e produtores rurais. 

A maior parte do valor renegociado está no Desenrola Fies, com mais de R$ 3 bilhões. O Desenrola Empresas soma R$ 2 bilhões, o Desenrola Famílias R$ 460,7 milhões e o Desenrola Rural cerca de R$ 3,5 milhões. 

Quem pode participar 

O Desenrola Famílias atende pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos. O programa oferece juros de 1,99% ao mês, descontos que podem chegar a 90% e parcelamento entre 12 e 48 meses, com prestações a partir de R$ 50. 

Podem ser renegociados contratos firmados até 31 de janeiro de 2026 que estejam com atraso entre 91 e 720 dias. 

Endividamento continua em alta 

Apesar da ampliação do programa, a inadimplência segue elevada. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em maio, alta de 0,7 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 3,4 pontos na comparação com um ano antes. 

O percentual de famílias com contas em atraso também subiu para 29,9%. A CNC prevê continuidade desse crescimento nos próximos meses, mas avalia que a nova etapa do Desenrola poderá reduzir o ritmo de avanço da inadimplência, repetindo o efeito observado na primeira edição do programa. 


* Redator: Solon Saldanha3 red.org.br/noticias 

Foto: Cédulas de Real. Crédito: reprodução O Globo