quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Ataques à Arábia Saudita: por que os EUA guardam milhões de barris de petróleo debaixo da terra

Com os ataques a refinarias na Arábia Saudita, o assunto voltou à tona: mais de 640 milhões de barris estão estocados em cavernas subterrâneas de sal nos Estados do Texas e da Louisiana.

Por BBC News

À medida que o preço do barril disparava no mercado internacional, o presidente americano, Donald Trump, escreveu no Twitter que autorizava o uso desse reservatório "para manter os mercados bem abastecidos, se necessário".
A reserva a que ele se referia equivale a mais de 640 milhões de barris de petróleo, que estão armazenados em cavernas subterrâneas de sal nos Estados do Texas e da Louisiana.

A ideia de manter "reservas estratégicas" remonta à década de 1970.
Todos os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) precisam armazenar um estoque equivalente a 90 dias de importações de petróleo, mas a reserva emergencial dos EUA é a maior do mundo.

Por que a reserva foi criada?

Os políticos americanos tiveram a ideia de estocar petróleo no início dos anos 1970, depois que um corte no fornecimento de petróleo por parte de países do Oriente Médio fez com que os preços do barril disparassem em todo o mundo...

Beba na Fonte: 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

No último dia, Raquel Dodge denuncia conselheiro do TCE-RJ no caso Marielle

Foto: Nelson Jr. / SCO / STF

Por Gabriela Coelho - Conjur

No dia em que se despede da Procuradoria-Geral da República, Raquel Dodge informou que apresentou uma denúncia contra Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, por suposto envolvimento no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. 

Segundo Dodge, houve desvirtuamento na condução das investigações do caso. Dodge também pediu ao Superior Tribunal de Justiça a abertura de um novo inquérito para apurar os dois assassinatos.

"Estou denunciando Domingos Brazão, um funcionário dele chamado Gilberto Ferreira, Rodrigo Ferreira, Camila, uma advogada e o delegado da Polícia Federal, Hélio Kristian. Eles todos participaram de uma encenação, que conduziu ao desvirtuamento das investigações", disse Dodge.

Segundo Raquel Dodge, Domingos Brazão valeu-se do cargo e da estrutura do gabinete no TCE-RJ, acionou um dos servidores – um agente da PF aposentado – que exercia cargo no gabinete para engendrar simulação para conseguir desvirtuar a investigação, com ajuda do delegado da Polícia Federal Helio Khristian.

"O modo como foram engendrados depoimentos que conduziram a Polícia Civil a um certo tempo, a indicar que os autores eram pessoas que não tinham participado da atuação. O inquérito inicial apontou para receptores que não eram os verdadeiros. Estou pedindo o deslocamento de competência para que haja uma investigação para se chegar aos mandantes", disse.

Domingos Brazão virou réu em ação penal no STJ em junho deste ano em razão da operação "quinto do ouro", desdobramento da "lava jato" que apura fraudes na corte.

Brazão está afastado do cargo em razão das suspeitas. Ele chegou a ser preso em 29 de março de 2017. Em 7 de abril de 2017 foi solto, mas afastado da função - situação que perdura até hoje. Ao receber a denúncia em junho, o STJ confirmou o afastamento.

Irregularidades Entregues
No dia 30 de agosto, o ministro Raul Araújo, do STJ, determinou que a 28ª Vara Criminal do Rio de Janeiro entregasse à procuradora-geral uma cópia do inquérito que apura irregularidades na investigação dos assassinatos.

Com o material, a PGR pôde analisar a "investigação da investigação" para saber se a apuração sobre as mortes na Justiça estadual está comprometida. A PGR pode pedir que o inquérito passe a ser conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal.

Dodge fez a declaração ao apresentar um balanço da sua gestão nos dois anos em que esteve à frente da Procuradoria Geral da República (PGR).

“Aldeia não se curva a capitão”: Samba favorito da Portela para 2020 provoca Bolsonaro e Crivella


Por Lucas Rocha - Desacato

Em um ano cheio de enredos emblemáticos, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro pode ver a tradicional Portela levar um samba crítico para a Marquês de Sapucaí. Das 16 obras que seguem em disputa interna que vai escolher o hino oficial de 2020, a considerada favorita traz versos fortes exaltando os povos indígenas e criticando o presidente Jair Bolsonaro e o prefeito Marcelo Crivella.

Com o enredo “Guajupiá, terra sem males”, inspirado em um mito tupi-guarani considerado pelo historiador Luiz Antonio Simas “um elemento central da cosmogonia e da ontologia dos tupis”, a Portela viu 25 grupos de sambistas inscreverem composições para falar sobre a temática, que pretende abordar a força da ancestralidade e o legado dos tupinambás, que ocupavam a região do Rio de Janeiro antes da chegada dos portugueses.

Passada a primeira fase, um dos destaques, aclamado pela crítica, tem sido a música de Valtinho Botafogo & Cia, que reafirma o papel de resistência do povo indígena e traz uma crítica explícita contra o governo federal e municipal. “Nossa aldeia é sem partido ou facção. Não tem bispo, nem se curva a capitão”, diz trecho da obra, em referência ao presidente Jair Bolsonaro e ao prefeito Marcelo Crivella.

A composição ainda traz versos como “Se Guanabara é resistência, o índio é arco, é flecha, é essência” e fala em respeitar a natureza “para o imenso azul do céu nunca mais escurecer”, em uma referência ao episódio em que a fumaça das queimadas da Amazônia deixou o céu de São Paulo acinzentado, no mês de agosto.

Além de Valtinho, outras composições que seguem vivas na disputa também trazem elementos críticos, como a também aclamada obra de Waguinho, Zé Luiz e Willian, que canta que a “entre a fumaça e o imenso concreto nesta cidade que aos poucos morre, meu rio, parece que a natureza diz, a vida segue andando por um fio”, e a de Marquinho do Pandeiro, que prega a demarcação das terras. “E Xamã falou da bravura, mais sagrada, que terra boa, é terra preservada. E Xamã falou da bravura, mais sagrada, que terra boa, é terra demarcada”, diz o refrão do meio da composição de Pandeiro, Joseth Rodrigues, Flavio Viana, Charles Braga, Dollores, Phabbio Salvatt, Tuca e Antonio De Matos.

A final do processo de escolha do samba da Portela para 2020 será no dia 11 de outubro e as eliminatórias acontecem todos as sextas e domingos, na quadra da escola, em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro. A Portela é a maior vencedora do carnaval carioca, com 22 títulos, sendo o último em 2017, ao lado da Mocidade Independente.

Além da Portela, outras escolas também apresentam temas carregados de críticas para o Carnaval de 2020, como a Mangueira, que foi campeã em 2019 falando sobre a história não-oficial, e a Mocidade, que vai contar sobre a vida da cantora Elza Soares, marcada pela resistência. Enquanto a Verde e Rosa ainda não definiu a música do ano que vem, a vencedora de 2017 – junto da Portela – já tem hino oficial.

Pesquisadores descobrem trapaça do governo em cálculos da reforma da Previdência


Por Charles Nisz – dcm


Foi um trabalho de profissionais. O governo enganou a todos, deputados e senadores, empresários e trabalhadores, com sua proposta de reforma do sistema de aposentadorias. O projeto denominado Nova Previdência, ficará claro adiante, é uma falsidade completa, um edifício de planilhas sem consistência construído com dados manipulados para atingir os objetivos austericidas e privatistas do Ministério da Economia.

Sabia-se que o plano engendrado em Brasília aumenta a desigualdade, sacrifica os mais pobres, entrega o filão das aposentadorias mais bem remuneradas aos fundos e bancos privados, quebra municípios pequenos com economia movimentada principalmente por dinheiro dos aposentados, mas faltava provar isso, o que implicava ter acesso aos números e às fórmulas utilizados pelos responsáveis. A decisão em abril do Ministério da Economia de decretar  sigilo sobre os estudos e pareceres técnicos que embasaram a Proposta de Emenda à Constituição era indício de práticas suspeitas. Depois...

Beba na Fonte: Diário do Centro do Mundo.

O agrotóxico que matou 50 milhões de abelhas em Santa Catarina em um só mês

Usado em plantações de soja, o fipronil foi apontado como o principal responsável pela mortandade. Neste ano foram registradas mortes de abelhas causadas por agrotóxicos em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Uma investigação em Santa Catarina revelou que cerca de 50 milhões de abelhas morreram envenenadas por agrotóxicos em janeiro deste ano.

Os testes - pagos com recursos do Ministério Público estadual - mostraram que a principal causa foi o uso do inseticida fipronil, usado em lavouras de soja na região.

A substância foi proibida em países como Vietnã, Uruguai e África do Sul após pesquisas comprovarem que ela é letal para as abelhas.

Santa Catarina é o maior exportador de mel do Brasil e tem 99% de sua produção certificada como orgânica. Os produtores temem que a mortandade gere dúvidas sobre a qualidade do mel catarinense e abale seus negócios.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Por que quase metade dos brasileiros não tem rede de esgoto?

Apenas 52,4% dos brasileiros têm acesso à rede de esgoto. A repórter Camilla Veras Mota mergulhou nos números para explicar neste #EstudioBBC por que ainda falta tanto para o saneamento básico chegar a todos no país.

Bolsonaro veta regulamentação da profissão de cuidador

De autoria do ex-deputado Felipe Bornier (RJ), o projeto exigia ensino fundamental completo, curso de qualificação na área, idade mínima de 18 anos, atestados de bons antecedentes, além de aptidão física e mental.

Julia Neves - EPSJV/Fiocruz

Foram 12 anos de tramitação até o dia 8 de julho, quando o presidente Jair Bolsonaro vetou integralmente o projeto de lei nº 11/2016  – nascido na Câmara dos Deputados com o nº 1385/2007  –, que criaria e regulamentaria as profissões de cuidador de pessoa idosa, cuidador de pessoa com deficiência, cuidador infantil e cuidador de pessoa com doenças raras.  Na justificativa, o presidente informa que o Ministério da Economia foi contra a sanção do PL argumentando que, ao criar condicionantes para a profissão de cuidador, a lei restringiria o livre exercício profissional garantido pela Constituição. E, portanto, seria inconstitucional. O veto , entretanto, ainda poderá ser derrubado nos próximos 30 dias por deputados e senadores em sessão conjunta.

Para o professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Daniel Groisman, que coordena o curso de cuidador de idoso na instituição, chamar de inconstitucional a criação de uma profissão é uma grande contradição. “É totalmente equivocado. Se fosse inconstitucional criar profissões, nenhuma profissão existiria”, aponta, afirmando que o veto impacta imediatamente não só centenas de milhares de trabalhadores que tinham a expectativa dessa profissionalização, mas também as pessoas que necessitam desses cuidados.

Texto lacônico

De acordo com o projeto, os cuidadores deveriam ter o ensino fundamental completo e curso de qualificação na área, além de idade mínima de 18 anos, bons antecedentes criminais, e atestados de aptidão física e mental. A atuação do cuidador poderia se dar em residências, comunidades ou instituições. A importância da aprovação do texto, segundo Groisman, se justifica pela necessidade de fortalecer a qualidade dos cuidados e dar visibilidade aos cuidadores na sociedade.

Para ele, o debate sobre a necessidade de regulamentar a profissão já devia ter sido superado após mais de uma década de tramitação no Congresso. O PL passou por diversas comissões, receber pareceres e, por fim, ser apreciado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania tanto da Câmara quanto do Senado. “Foi uma justificativa pouco cuidadosa, um texto lacônico”, lamenta.
Ana Gilda Soares dos Santos, presidente da Associação dos Cuidadores da Pessoa Idosa, da Saúde Mental e com Deficiência do Estado do Rio de Janeiro (Acierj), considera o veto um total desconhecimento da realidade e das necessidades da sociedade, “em especial da população idosa, das pessoas com transtorno mental que viveram anos trancados nos manicômios, das pessoas com doenças raras e das pessoas com deficiência”. “O veto tira a oportunidade de qualificação e de uma educação continuada, pois o cuidado não é um trabalho banal. Nós estamos nas residências particulares, nos Centros de Atenção Psicossocial, em abrigos para crianças e adultos e em tantos outros lugares e não temos nosso trabalho reconhecido e respeitado, muitas das vezes”, lamenta.

Luta antiga

Reivindicação antiga da categoria, a regulamentação é considerada por Groisman uma forma de valorização ao delimitar as atribuições e buscar a melhoria da escolarização e qualificação profissional desses trabalhadores, em sua maioria mulheres dos segmentos mais pobres da população. “Fala-se na necessidade de profissionalizar os cuidadores no Brasil desde o final do século 20. Nos últimos anos, sobretudo em função do enorme aumento do número de pessoas idosas, essa necessidade se fez mais presente”, aponta Groisman.
O crescimento de cuidadores pode ser verificado a partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) divulgados pelo extinto Ministério do Trabalho no final de 2018. De acordo com o levantamento, houve um boom de pessoas que declararam ter essa ocupação nos últimos dez anos, com um aumento de 547% no período.
O fenômeno está relacionado às mudanças demográficas no Brasil. Segundo dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), divulgados em outubro de 2018 pelo Ministério da Saúde, atualmente, os idosos (pessoas acima de 60 anos) correspondem a 14,3% da população – o equivalente a 29,3 milhões de habitantes. Em 2030, esse número deve ultrapassar o de crianças e adolescentes (de zero a 14 anos), com 43,2 milhões de idosos para 42,3 milhões do outro grupo.

E agora?

Após o veto, Groisman afirma que associações ligadas a cuidadores e entidades de defesa dos direitos dos grupos que seriam atendidos pelo projeto de lei estão se articulando para reagir. “O veto será examinado em sessão conjunta no Congresso e existe uma articulação para sensibilização dos parlamentares para que seja derrubado e a lei promulgada”, explica.
O desafio de superar vetos não é novidade na área dos cuidados à pessoa idosa. Groisman lembra da lei 7332, de 2016, que estabelece normas para o exercício da atividade profissional de cuidador no âmbito do estado do Rio de Janeiro. “Ela foi vetada pelo governador à época, mas o veto foi derrubado pela assembleia legislativa e, desde então, está em vigor”, observa.

Na direção errada?

Com esse veto, o Brasil vai na contramão de diversos países do mundo que estão avançando na criação e desenvolvimento de políticas públicas voltadas para os idosos. No último dia 5, o parlamento português aprovou por unanimidade o projeto de lei que estabelece o Estatuto do Cuidador Informal. No país, a estimativa é que existam mais de 200 mil pessoas com a única atribuição de cuidar de parentes, em sua maioria idosos total ou parcialmente dependentes. Se sancionado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o estatuto fará com que os cuidadores informais tenham direito a um subsídio governamental em moldes e valores que ainda serão definidos. O benefício vai alcançar apenas os cuidadores principais – cônjuges ou familiares até quarto grau que se dedicam permanentemente a isso – e apenas para quem tiver rendimentos baixos.