terça-feira, 25 de abril de 2017

Resultado de licitação do BB vaza 4 dias antes de abertura de envelopes


O nome da primeira colocada na licitação para a conta de publicidade do Banco do Brasil foi antecipado à Folha na última quinta (20), quatro dias antes da abertura oficial dos envelopes que trariam o resultado, que só ocorreu na manhã desta segunda (24) em Brasília. A concorrência é a de maior valor já realizada no governo Michel Temer.

Segundo o jornal, a Multi Solution ficou com o primeiro lugar no certame que elegeu três empresas de propaganda para gerenciar a publicidade do banco pelos próximos 12 meses. Elas dividirão um contrato de até R$ 500 milhões por ano, prorrogável por até 60 meses, segundo o edital. Isso totalizaria R$ 2,5 bilhões, sem calcular eventuais reajustes.

A informação de que a Multi Solution estaria entre as vencedoras foi registrada pelo jornal em cartório na própria quinta-feira (20) e publicada em anúncio cifrado na seção de classificados do caderno Sobre Tudo da Folha deste domingo (23).

Ainda de acordo com a publicação, o informe trazia o nome da empresa e o número da concorrência que ela venceria nesta segunda. Segundo a informação obtida pelo jornal, houve direcionamento dentro da estatal para garantir que a Multi Solution estivesse entre as contratadas pelo Banco do Brasil.

Outras duas agências de publicidade foram selecionadas na licitação, que foi pública e realizada na manhã desta segunda, em Brasília: a Nova/sb e a Z+. A primeira tem tradição em negócios do setor público e a segunda integra um grupo francês.

A reportagem detalha que houve disputa acirrada entre ao menos quatro agências pela segunda e a terceira colocações —uma firma estava no páreo e foi desqualificada após recontagem. A Multi Solution, porém, foi a única entre as qualificadas que não teve a liderança na disputa ameaçada.

A Multi Solution, presidida por Pedro Queirolo, nunca havia vencido licitação em órgãos públicos. Por e-mail, Queirolo afirmou à Folha que a vitória na licitação do BB "veio para coroar os 20 anos de trabalho da agência, que é reconhecida por grandes cases no setor privado". A empresa ganhou visibilidade no mercado ao abocanhar, anos atrás, a conta das marcas Itaipava e TNT. A Itaipava é citada na Lava Jato como uma das firmas usadas pela Odebrecht para distribuir propinas —o que ela nega. Veículos especializados no setor de publicidade noticiaram que, em 2012, a agência perdeu esse negócio, o que levou à queda de metade do seu faturamento.

Procurado, o BB afirmou "que o processo de licitação para escolha das novas agências de publicidade obedeceu rigorosamente a legislação, e a definição das vencedoras foi norteada por critérios técnicos". Já a Multi Solution negou qualquer favorecimento.


Por Bocão News | Fotos: Folhapress

Greve geral do dia 28; deve ser a maior mobilização dos últimos 30 anos

“... Santa Catarina, Ceará, Pernambuco e Maranhão, está prevista a adesão ao movimento de bancários e de profissionais de setores essenciais, como transporte, saúde e educação.”

Centrais sindicais organizam greve geral (ou paralisação nacional) para a próxima sexta-feira, dia 28. Eles dizem que pode ser a maior mobilização de trabalhadores e de diversos setores da sociedade dos últimos 30 anos no Brasil. O protesto contra as reformas da Previdência e trabalhista e a Lei da Terceirização está sendo convocado por oito centrais sindicais que, juntas, representam mais de 10 milhões de trabalhadores.
Segundo sindicalistas, a última grande paralisação envolvendo diversas categorias ocorreu em 1986, durante o governo Sarney, contra o Plano Cruzado. “Esperamos que seja a maior mobilização já ocorrida até agora”, diz João Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força Sindical. “Estamos orientando as pessoas a não saírem de casa, a não irem ao supermercado, aos bancos etc”.

Grandes categorias de várias capitais aprovaram a paralisação em assembleias, entre as quais metroviários, motoristas de transporte público, motoboys, bancários, metalúrgicos, professores de escolas públicas e privadas, petroleiros, funcionários dos Correios, da construção, do comércio e da saúde

“O momento é muito grave, principalmente depois da aprovação da urgência para a votação da reforma trabalhista sem que haja uma discussão mais profunda sobre o tema”, afirma Ricardo Patah, presidente da UGT. “Nem na ditadura foram tomadas decisões tão graves como agora.”

Boletim assinado pela CUT, UGT, CTB, Força Sindical, CSB, NCST, Conlutas e CGTB, com tiragem de 2 milhões de exemplares, está sendo distribuído em cidades do Estado de São Paulo com críticas às reformas e convocando a greve.

Em Belo Horizonte, a paralisação deve atingir cerca de 500 mil servidores públicos, além de bancários e outras categorias, preveem os sindicatos locais. Segundo a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, as reformas ferem “de morte” direitos fundamentais da classe trabalhadora.

O diretor da CUT em Alagoas, Izac Cavalcante, diz que a central espera mobilizar pelo menos 100 mil trabalhadores no Estado. Segundo ele, 75 mil servidores públicos estaduais e cerca de 3 mil bancários deverão cruzar os braços. O protesto também terá a participação de parte do funcionalismo público federal e dos trabalhadores das empresas de transporte público de Maceió.

Escolas privadas
Em São Paulo, o Sindicato dos Professores, representante dos docentes de escolas particulares, contabiliza, até agora, cerca de 100 escolas que não terão aulas e cujos pais de alunos estão sendo informados pela direção das instituições. “Nesta semana, as adesões devem aumentar”, informa Silvia Barbara, diretora da entidade. Mobilização dessa magnitude na categoria não ocorre há mais de dez anos, diz.

Também indicaram adesão ao movimento na capital paulista os metroviários, motoristas, bancários, metalúrgicos, químicos, construção, entre outros. Em cidades do interior, como Sorocaba, cartazes do Sindicato dos Rodoviários informam passageiros nas rodoviárias sobre a greve geral. No fim de semana, haverá carreata na zona leste de São Paulo, da CUT, para chamar para o protesto.

No Ceará, Pernambuco, Santa Catarina e Maranhão, está prevista a adesão ao movimento de bancários e de profissionais de setores essenciais, como transporte, saúde e educação. 


Estadão

RECORDAR É VIVER


Por Carlos Damião – Redes Sociais

Adesivo distribuído em 1975, logo após a inauguração da segunda ponte Ilha-Continente, a Colombo Salles. Patrocinado, como se vê, pela empreiteira responsável pela obra. Aliás, a Odebrecht - a mesma que está no centro do maior escândalo político da história brasileira - era uma das principais prestadoras de serviços à ditadura civil-militar de 1964-1985. Realizou centenas de obras públicas ao longo dos 21 anos de regime de exceção. [O adesivo faz parte do meu baú de imagens e documentos antigos] - EM TEMPO: o partido da ditadura (governista) era a Arena, que depois de 1979 virou PDS. Após 1985 o PDS rachou e deu origem ao PP e PFL - este espalhado hoje pelo DEM, PSB, PSDB e PSD.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Contradições sobre o Programa Farmácia Popular



O Programa FARMACIA POPULAR possui duas modalidades: [1] FARMÁCIA POPULAR-REDE PRÓPRIA (parceria do Governo Federal com estados e municípios) e [2] AQUI TEM FARMACIA POPULAR (parceria do governo federal com farmácias e drogarias da rede privada.

por Rui Daher no GGN

Em junho de 2013, escrevi em meu blog na Terra Magazine, de Bob Fernandes, logo republicado neste GGN, o artigo “O sistema ‘Farmácia Popular´ fora do ar”. https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-sistema-farmacia-popular-fora-do-ar-por-rui-daher

Vejo que o tema volta à seriedade “Estadão” do “Jornal de todos os Brasis” e abandono as galhofas, agora exclusivas em minha página do Facebook, para, a propósito dos vários desacatos ao País feitos pelo ilegítimo governo de Michel Temer, transmitir e-mail que recebo do leitor Eduardo S., sobre o assunto.
Aí vai, com algumas permissividades editoriais minhas:
“Caro Rui,
Li sua materia recentemente (2013 ?) sobre o sistema fora do ar da farmácia popular (rede de drogarias).

Os Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) se reuniram na quinta-feira, 30 de março, para a 3ª reunião ordinária da Comissão Inter gestores Tripartite de 2017.

 Foi decidida a interrupção da FARMACIA POPULAR-REDE PROPRIA, devido aos altos custos com fiscalização, armazenamento e distribuição. Serão mantidas as farmácias credenciadas no programa “AQUI TEM FARMACIA POPULAR” e os recursos totais serão reinvestidos na assistência farmacêutica básica do SUS.

O Programa FARMACIA POPULAR possui duas modalidades: [1] FARMACIA POPULAR-REDE PRÓPRIA (parceria do Governo Federal com estados e municípios) e [2] AQUI TEM FARMACIA POPULAR (parceria do governo federal com farmácias e drogarias da rede privada.
Existem 3 formas que o Governo Federal tem de enviar verbas de medicamentos para a população:

a) FARMACIA POPULAR- REDE PROPRIA: distribui 112 tipos de medicamentos (grátis e também com descontos) e custa R$ 80 milhões. Este modelo que o governo quer acabar;

b) FARMACIA POPULAR-AQUI TEM: distribui (grátis e também com desconto) 25 tipos de medicamentos e custa R$ 3,3 bilhões;

c) VERBA REPASSADA A TODOS OS MUNICÍPIOS PARA POSTOS DE SAÚDE DO BRASIL PELO GOVERNO FEDERAL: R$ 980 milhões para farmácias das unidades básicas de saúde e postos de saúde: 
PROGRAMA
CUSTO AO GOVERNO FEDERAL
TIPOS DE MEDICAMENTOS DISTRIBUIDOS
PREÇO
FARMACIA POPULAR-REDE PROPRIA
R$ 80 MM
112
Anticoncepcional similar ao MESYGINA; valor tabelado R$ 1,13
FARMACIA POPULAR-AQUI TEM (drogarias privadas)
R$ 3,3 BB
25
Anticoncepcional similar ao MESYGINA; valor MÉDIO: R$ 11,31
POSTOS DE SAUDE DE MUNICIPIOS EM TODO O BRASIL
R$ 980 MM
200 a 300
Anticoncepcional similar ao MESYGINA: GRÁTIS

(a)    TABELA PRECOS FARMACIA POPULAR-REDE PROPRIA: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/fevereiro/20/elenco-fp1-20-08-12.pdf
A extinção do farmácia popular-rede própria terá impacto de 10% na verba do Governo Federal aos municípios e 2,4 % na farmácia popular-aqui tem.
A extinção da farmácia popular-aqui tem terá impacto de mais de 300% na verba do Governo Federal aos municípios, locais que deveriam ir, pois além de distribuir gratuitamente os medicamentos do farmacia popular-aqui tem custam até 163 mais.

ENTÃO:
1.     Por que querem acabar com um programa como o farmácia popular-rede própria que distribui 112 tipos de medicamentos a preços baixos e que custa R$ 80 milhões?

2.     Por que querem manter um programa como a farmácia popular aqui tem, que distribui apenas 25 tipos de medicamentos e custa R$ 3,3 bilhões, cerca de 3 vezes mais do que a verba distribuída aos municípios cujos postos de saúde distribuem grátis cerca de 200 a 300 tipos de medicamentos?

3.     Por que o setor privado recebe mais verba federal do que o setor público?
4.     Qual dos dois programas realmente deveria incomodar o governo federal?

5.     Se o programa é burocrático porque não inova os processos de trabalho com uso de tecnologias e novos modelos de gestão em vez de extingui-lo?

6.     Por que o governo federal não extingue um programa como a farmácia popular-aqui tem que, além de ter fraudes que chegam a 40%, gasta 3 vezes mais que as verbas destinadas a TODOS os municípios do Brasil que distribuem GRATUITAMENTE cerca de 200 a 300 tipos de medicamentos?

7.     Essas fraudes não são devidamente controladas pois falta pessoal para fiscalizar.  
Os preços de referência do Aqui Tem Farmácia Popular são até 2.500% mais altos que os praticados em licitações públicas de secretarias municipais e estaduais país afora. É o caso do Captopril 25 mg, que tem preço unitário de R$ 0,27 no programa AQUI TEM, mas, quando comprado pelas redes públicas, com dinheiro federal, sai em média a R$ 0,01.
Essa política farmacêutica, a meu ver equivocada, talvez privilegie o lucro e justifique o crescimento do comércio varejista de medicamentos, pois a Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias menciona o Programa Farmácia Popular como incentivador do crescimento do setor.

Estudo feito na FIOCRUZ, em 2016, no Rio de Janeiro, mostra que o gasto com medicamentos pelo Programa AQUI TEM foram R$ 124 milhões, enquanto que estes mesmos medicamentos custaram à Rede Municipal apenas 28 milhões (cerca de 4 vezes menos).

Os postos de saúde estão mais bem distribuídos e presentes em municípios menores do que farmácias e drogarias privadas, e gastam 4 vezes menos comparados ao Programa AQUI TEM. Além disso, eles recebem hoje cerca de R$ 5,10 mensais por habitante e irão receber R$ 18,00 caso a verba do AQUI TEM seja remanejada para eles.

Conto com sua sensibilidade para divulgar e esclarecer melhor esta situação, pois as siglas deste programa atrapalham a discussão e facilitam o processo de privatização da saúde”.

Taí, Eduardo. A discussão agora é com os leitores do profundo GGN.

Nomes do axé somam cerca de R$ 48 milhões em débitos com o governo

As 16 empresas inscritas na Dívida Ativa da União estão ligadas a artistas como Cláudia Leitte, É o Tchan, Bell Marques e Ivete Sangalo

Por Thais Rodrigues no Portal Metrópoles

Um levantamento feito pelo BuzzFeed Brasil mostra que pelo menos oito bandas e artistas de axé music estão na lista de devedores do governo federal. Eles somam cerca de R$ 48 milhões em débitos que envolvem o não pagamento de impostos.

A lista pública inclui pessoas físicas e jurídicas que ainda não pagaram, dentre outras taxas, imposto de renda, previdência, FGTS e multas. No total, foram 256 autuações. São 16 empresas inscritas na Dívida Ativa da União ligadas aos artistas.

Campeão de autuações, com 52 processos abertos, o cantor Compadre Washington tem duas empresas na lista: É o Tchan Produções e Bicho da Cara Preta. O bloco Ara Ketu apresenta duas pessoas jurídicas, com 49 processos, incluindo calotes ao FGTS.

Bell Marques tem cinco empresas ligadas a seu nome com dívidas junto ao governo. Somadas, elas foram autuadas 49 vezes. Núcleo 55, 7+7, Granola Produções, CCB e Mazana devem, juntas, mais de R$ 12 milhões. A produtora de Carlinhos Brown, Nariz de Borracha, responde por 32 infrações, incluindo dívidas com o INSS.

Duas empresas ligadas a Cláudia Leitte aparecem com 48 autuações. São 36 contra a Ciel Empreendimentos Artísticos e 12 contra a 2T’s Entretenimentos. Em nota, o advogado Alessandro Dessimoni disse que “os débitos fiscais das empresas estão sendo discutidos judicialmente, o que significa que estamos analisando o parcelamento de acordo com o novo Programa de Regularização Tributária”.

Uma das mais experientes cantoras de axé, Margareth Menezes é dona de uma empresa com seu nome e da produtora Estrela do Mar. As duas estão na lista de devedores. No final da fila, aparecem Daniela Mercury e Ivete Sangalo, cada uma com uma empresa, com débitos de R$ 55 mil.

Para membros do MP e juízes, parecer de Maia tem retrocessos injustificáveis

Foto: Lula Marques/AGPT
Por meio de nota, associações de juízes e de membros do Ministério Público organizadas na Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS) afirmam que as alterações propostas na Comissão Especial da Reforma da Previdência pelo deputado Arthur Maia (PPS-BA) apresentam “injustificáveis retrocessos”, além de manter diversos equívocos graves.

A Frente diz que o discurso de diminuição do déficit da Previdência é ilusório, e que as mudanças apresentadas não demonstram “fundamentadamente a efetiva redução de gastos”.
“Os números são lançados sem critérios claros e são misturados dados e supostos déficits de sistemas diferentes” com o objetivo de criar uma sensação de urgência na retirada dos direitos, afirmam as associações.

Para a FRENTAS, a aprovação da PEC da reforma da Previdência é inaceitável, já que ela é “calcada em modelo de exclusão de direitos, em grave prejuízo de servidores públicos e trabalhadores do Regime Geral de Previdência”.

Leia mais abaixo:
NOTA PÚBLICA

A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS), composta pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP), Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM), Associação dos Membros do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT) e Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios (AMAGIS-DF), entidades de classe de âmbito nacional que congregam mais de 40 mil juízes e membros do Ministério Público, considerando o parecer do Relator da Comissão Especial da Reforma da Previdência da Câmara dos Deputados, Deputado Federal Arthur Maia (PPS-BA), divulgado em 19.04.17, vem a público esclarecer o que segue:

1. As mudanças em relação à proposta original mantêm graves equívocos e em não poucos pontos - inclusive do regime geral - apresentam injustificáveis retrocessos.  Em particular quando se refere aos servidores públicos - que sustentam o funcionamento do Estado brasileiro, inclusive o Poder Judiciário e o Ministério Público - o relatório confessadamente esquece a justiça e isonomia e atropela a constituição.

2. Setores inteiros foram retirados da proposta, e os que foram mantidos - segurados gerais e servidores públicos - foram chamados a sozinhos aumentarem os sacrifícios. E a justiça e isonomia apregoadas no discurso inicial, de igualdade e equilíbrio em todos os sistemas? Ora, não existem mais a isonomia e o direito, é o que ecoa da proposição.

3. É ilusório o discurso de redução do declarado déficit da Previdência, tanto é que as mudanças pretendidas não possuem cálculo atuarial para demonstrar fundamentadamente a efetiva redução de gastos. Os números são lançados sem critérios claros e são misturados dados e supostos déficits de sistemas diferentes - inclusive vários que o próprio governo optou por não mexer - para criar na opinião pública e no mundo político a sensação de urgência para destruir direitos. Falta - de parte do governo e não dos críticos da reforma - clareza na apresentação e quantificação do problema.

4. Também é importante reafirmar que não apenas direitos previdenciários do setor público estão sendo suprimidos, agravados ou dificultados com o relatório apresentado. Ao contrário do que possa aparentar, o texto do relator mantém elevado grau de perversidade também com os trabalhadores de uma forma geral e não há, em sua construção, nenhuma lógica razoável que justifique a adoção de várias das medidas propostas, comprometendo inclusive a constitucionalidade de diversas proposições.

5. Quanto ao Regime Geral, é importante, por exemplo, que o povo brasileiro esteja ciente de que o relatório propõe uma mínima diferenciação (em apenas três anos) da idade de aposentadoria entre homens e mulheres, além de aumentar a idade para a obtenção do Benefício da Prestação de Continuada do idoso menos favorecido socialmente de 65 (regra hoje vigente) para 68 anos, exigindo ainda efetiva contribuição do segurado rural.

6. Mesmo o fato de o parecer reduzir de 49 para 40 anos o tempo de contribuição para que se obtenha o benefício máximo – e 40 anos de contribuição divorcia-se da realidade do mercado de trabalho e da situação social do Brasil, sendo esse o tempo exigido no Japão, onde há pleno emprego e elástica longevidade – a nova fórmula empregada tanto para o RGPS como para o RPPS (para aqueles que ingressaram entre a EC 41 e o regime complementar de previdência, e que não fizeram a opção pelo último) é prejudicial em relação à apresentada no texto original da PEC, e isto porque a formula inicial determinava que, uma vez atingida a idade mínima de 65 anos (que continua como regra geral para os homens), e com ao menos vinte e cinco anos de contribuição, ter-se-ia 51 % do valor do benefício máximo mais os 25 % decorrentes do tempo de serviço (um ponto percentual para cada ano), partindo, portanto, de 76% do valor do benefício, ao passo que, no parecer, atingidos a idade mínima e os 25 anos de contribuição terá o trabalhador, público ou privado, direito a obter APENAS 70% do benefício, número inferior em 6 pontos percentuais à regra proposta no texto original.

7. É de se apontar que as “regras de transição” propostas no relatório têm por idade mínima 55 anos para homens/ 53 para mulheres do setor privado, e 60 anos para homens/55 anos para mulheres do setor público. Não bastasse a idade a maior para a transição inicial do setor público, vê-se que neste se atingirá as idades máximas (65 anos para homens e 62 anos para mulheres) a partir do ano de 2028, ao passo que mesmas idades máximas (65 anos para homens e 62 anos para mulheres) somente serão atingidas, no setor privado, em 2038.

8.Mesmo assim, sem nenhuma coerência, talvez por algum sabor de impor perseguição política a determinados agentes públicos, em franca desproporcionalidade, valor jurídico que não pode ser desrespeitado nem mesmo em aprimoramento constitucional, pretende o relatório conceder transição muito mais benéfica ao setor privado, prejudicando sem nenhuma justificativa plausível - mais uma vez - a aposentadoria do servidor público, que, como já dito, já arca com contribuição previdenciária ao menos 6,1 vezes maior que a do setor privado (vide tabela anexa) , além de estar sujeito a pagar a previdência mesmo após sua aposentação.

9. Se a PEC 287/16 trouxe regra de transição que era verdadeiro corte etário (aplicável aos homens com idade igual ou superior a 50 anos e as mulheres com idade igual ou superior a 45 anos), busca agora o parecer – o que, como outros pontos, ainda pode ser corrigido pelo Relator - trazer idade mínima de 65 anos (homens) e 62 anos (mulheres) para assegurar a integralidade/paridade aos servidores que ingressaram no regime próprio anteriormente à Emenda Constitucional 41/03, o que certamente trará a incontáveis agentes públicos acréscimo próximo a uma dezena de anos para o exercício de direito subjetivo já garantido pela norma constitucional hoje vigente, afrontando os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, justiça material, segurança jurídica e vedação ao retrocesso social.

10. Tanto assim que, no Plenário da Comissão em 19.04.17, o Relator distribuiu aos Deputados presentes errata onde textualmente fez constar: “Por fim, gostaria de esclarecer que determinei a revisão das regras de transição estabelecidas para os servidores. É evidente que a súbita imposição das idades de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres como condição de acesso a paridade e integralidade contrariam o que se entende como respeito a expectativa de direito, razão pela qual serão elaboradas regras mais compatíveis com os legítimos interesses envolvidos no assunto”. Posteriormente, pela imprensa e sem qualquer justificativa, afirmou o Relator que iria se retratar da retratação, ou, em suas palavras “Vou mandar fazer errata da errata, então”.

11. De forma, ou de outra, já havia ele admitido para a Comissão que há uma grande injustiça que pode se perpetrar contra os servidores públicos do Brasil. Em resumo, em sua essência a proposta originária continua a mesma, ainda que com o relatório apresentado, não passando de um texto injusto e inconcebível.

12. É preciso salientar que a validade e a eficácia das Emendas Constitucionais 20/98, 41/2003 e 47/2005, no que atine às regras de transição por elas criadas, não pode ser desprezada pelo constituinte derivado, pelo proponente da PEC e pelo parlamentar Relator, pois o texto proposto vislumbra grave agressão à segurança jurídica e ao Estado de Direito, já que os servidores públicos possuem em seu patrimônio jurídico um verdadeiro direito a se aposentar segundo as regras de transição até então existentes, válidas e eficazes, e que repentinamente são revogadas, com tal Projeto de Emenda. Ao fazer tábula rasa de regras de transição - e duras regras de transição - em vigor, o projeto atropela a constituição e cria, fique alerta o País, o que será provavelmente o maior contencioso judicial de todos os tempos, colaborando indelevelmente também para a instabilidade econômica, bem ao inverso do que afirma o discurso governamental.

13. A Proposição, por todos estes motivos, diga-se ainda, e insofismavelmente - embora em momento algum tenha a transparência ou a coragem de assumir este discurso - visa tornar inviável a opção pela Previdência Pública, dada à inatingibilidade dos requisitos para obtenção dos benefícios. Desta forma, direciona o projeto os segurados do RGPS e os servidores dos RPPS impositivamente à migração desorganizada e sem garantias de portabilidade completa e corrigida das contribuições de trabalhadores e empregadores (inclusive o estado) para uma pouco definida e desregulada Previdência Privada. Considerando que a previdência complementar é aberta às instituições financeiras, vê-se que o velado e verdadeiro objetivo maior é um novo e promissor negócio, com vistas a aumentar ainda mais a lucratividade do "mercado", lucro que advirá de início e desde logo da perda dos direitos de servidores e segurados à integralidade de suas contribuições próprias e patronais acumuladas.

Por todo o exposto, a FRENTAS considera inaceitável a aprovação da PEC 287/16, calcada em modelo de exclusão de direitos, em grave prejuízo de servidores públicos e trabalhadores do Regime Geral de Previdência.

Brasília, 24 de abril de 2017

Norma Angélica Cavalcanti

Associação Nacional dos Membros do Ministério Público

(CONAMP)

Coordenadora da Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público – FRENTAS

Germano Silveira de Siqueira

Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho

(ANAMATRA)

Roberto Carvalho Veloso

Associação dos Juízes Federais do Brasil

(AJUFE)

Jayme Martins de Oliveira Neto

Associação dos Magistrados Brasileiros

(AMB)

Elísio Teixeira Lima Neto

Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios

(AMPDFT)

Clauro Roberto de Bortolli

Associação Nacional do Ministério Público Militar

(ANMPM)

Angelo Fabiano Farias da Costa

Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho

(ANPT)

José Robalinho Cavalcanti

Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR)

Fábio Francisco Esteves

Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios


(AMAGIS DF)

Prescreveram parte das acusações a Leonel Pavan na Operação Transparência da Polícia Federal

Pelo Código Penal, uma pessoa tem até quatro anos depois da denúncia para ser julgada pelos crimes de advocacia administrativa e violação do sigilo funcional

Leonel Pavan, Secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, livrou-se na Justiça de duas acusações que pesavam sobre ele na operação Transparência porque elas prescreveram em maio do ano passado. 

Pelo Código Penal, uma pessoa tem até quatro anos depois da denúncia para ser julgada pelos crimes de advocacia administrativa e violação do sigilo funcional

É vergonhoso a justiça seletiva, Pavan não pode ser mais julgado pelos crimes que foi indiciado pela Polícia Federal em 2009.


Saiba o que é a Operação Transparência

Por Click RBS  20/01/2010

A Operação Transparência, da Polícia Federal, investigou possíveis crimes praticados por empresários e servidores públicos que tentaram resolver pendências fiscais da distribuidora de combustíveis Arrows junto à Secretaria da Fazenda.

No fim das investigações, sete pessoas, incluindo o vice-governador Leonel Pavan, foram indiciadas pela PF.

O inquérito foi remetido ao Ministério Público, que denunciou as sete à Justiça.

Aguarda-se uma posição do Tribunal de Justiça, que tem de dizer se rejeita a denúncia ou a aceita, abrindo processo contra os suspeitos.

As conclusões da investigação Com sede em Niterói (RJ), a distribuidora de combustíveis Arrows obteve em 2008 autorização estadual para instalar uma filial em Brusque.

Pouco tempo depois da autorização, ainda em 2008, fiscais da Secretaria da Fazenda descobriram irregularidades fiscais na empresa, principalmente o não recolhimento de ICMS ao trazer combustível de outros estados.

Intimada pela Fazenda, a empresa, por meio do representante Marcos Pegoraro, pleiteou o parcelamento da dívida, mas não honrou os pagamentos.

No início de 2009, a Arrows teve sua autorização para emissão de notas fiscais eletrônicas cancelada.

Também foi aberto processo, com prazo de 45 dias, para cancelamento da inscrição estadual da empresa.

A dívida da Arrows chegava a R$ 13 milhões.

A partir daí, segundo o inquérito, Pegoraro e o empresário Eugênio Rosa da Silva — que a PF aponta como sócio oculto da filial da Arrows em SC — tentaram resolver a pendência por meio de influência política, aproximando-se do vice-governador Leonel Pavan.

A advogada Vanderléia Aparecida Batista e o médico Armando Taranto Júnior, ambos servidores públicos, também teriam, de acordo com o inquérito, feito pressão para solucionar o problema da Arrows na Fazenda.

Em algumas conversas grampeadas, há referências a um pagamento de R$ 100 mil ao vice-governador, que ocorreria durante encontro no Aeroporto Hercílio Luz no dia 18 de março de 2009.

Neste dia, agentes da PF foram ao aeroporto e viram Pavan, após deixar a área de desembarque, abraçar "efusivamente" Eugênio, cumprimentar Pegoraro e embarcar com os dois em um veículo escuro, seguindo na direção do centro da cidade. Pavan nega que tenha recebido dinheiro.

De acordo com a PF, também "atuaram deliberadamente em prol dos interesses" da Arrows o diretor-geral da Secretaria da Fazenda, Pedro Mendes, e o diretor de Administração Tributária, Anastácio Martins. Anastácio chegou a retirar da Secretaria da Fazenda o processo aberto para cancelar a inscrição da Arrows.

A conclusão da PF é de que ele pensava, com o ato, estar impedindo o cancelamento.

Decorrido os 45 dias da abertura do processo, porém, a inscrição da Arrows foi automaticamente cancelada, proibindo a empresa de operar no Estado.

A PF diz no inquérito que todos os envolvidos se mostraram surpresos, pois não sabiam que o cancelamento ocorreria automaticamente.

Depois disso, ainda houve tentativas de reverter o cancelamento, sem sucesso.

Desconfiado, Pavan também teria mandado dizer a Pegoraro e a Eugênio que havia uma investigação em curso, inclusive com grampos telefônicos.

A partir de novembro, a PF começou a fase de depoimentos, concluindo o inquérito em dezembro. Com base no documento, o Ministério Público denunciou os sete envolvidos à Justiça, que agora deve dizer se abre ou não processo criminal contra eles.

Situação no TJ

A relatora do processo, desembargadora Salete Sommariva, levou três questões principais sobre o processo para serem apreciadas pelo pleno, nesta quarta: o desmembramento ou não da denúncia, a divulgação de informações sigilosas por parte da imprensa e a requisição de autorização da Assembleia Legislativa para o prosseguimento da denúncia.