terça-feira, 7 de março de 2017

Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Laguna denuncia trem da alegria

Prefeito Mauro Candemil tem poder de veto

A Câmara de Vereadores de Laguna em plena crise econômica aprova mudança na Lei complementar 329/2015 que simplesmente aumenta em quase 50% o número de cargos comissionados na Prefeitura de Laguna.

O Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Laguna entra com mandato de segurança contra a medida.

O Prefeito Mauro Candemil tem poder de veto.

Conheça o caso com mais detalhes na matéria do Jornal Diário do Sul a seguir:


Cargos comissionados: anulação de lei é solicitada

Por Diário do Sul
O Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Laguna entrou com um pedido de mandado de segurança para anular a Lei Complementar 2/2017, que faz alterações nos dispositivos da Lei Complementar 329/2015. De acordo com Azomar Miranda, presidente da entidade, a lei vai aumentar em quase 50% o número de cargos comissionados na prefeitura de Laguna.

“Essa lei reduz de 20% para 10% o número de servidores que podem ocupar cargos comissionados, abrindo aí mais espaço para os nomeados e aumentando esses cargos em quase 50%. Em uma época de crise, em que a própria prefeitura anuncia aos quatro ventos que economia é a ordem do momento, como explicar uma lei dessas?”, questiona.

Para Azomar, a principal preocupação é com a manutenção dos pagamentos da folha da prefeitura. “Agora estamos até com uma arrecadação razoável, em função do verão e do IPTU. Quando acabar a temporada e a arrecadação cair, nosso medo é que aconteça o mesmo que na gestão passada e os salários dos servidores comecem a atrasar. Além disso, é um prejuízo para a cidade”, comenta, complementando que hoje a prefeitura tem cerca de 800 efetivos, o que, em sua avaliação, somando os comissionados e temporários, é suficiente para o órgão ter pleno funcionamento.
A lei complementar, que partiu da Câmara de Vereadores, é tão polêmica que até mesmo um de seus autores, o vereador Osmar Vieira, no momento da primeira votação deu voto contrário. A redação do DS fez contato com a assessoria do vereador, mas não conseguiu falar com ele.

Na primeira votação, a lei foi aprovada. “É uma lei irregular, pois ela não pode partir do Legislativo, como partiu. Ela vai agora para segunda votação e depois para sanção do prefeito Mauro Candemil, e nós aguardamos a posição da Justiça. Caso chegue para sanção, estamos pedindo que o prefeito seja coerente com o que fala sobre redução de gastos e vete a lei”, afirma Azomar.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Gabriel García Márquez aos 90 anos


Por Urariano Mota
urarianoms@uol.com.br

Neste 6 de março, o gênio de Gabriel García Márquez completaria 90 anos. Na sua ótima biografia escrita por Gerald Martin, podemos ler:

“Gabo se mostrava claramente angustiado. Depois que conversamos sobre seu trabalho e planos por algum tempo, declarou que não tinha certeza se voltaria a escrever. Então ele disse, quase melancólico: ‘Escrevi bastante, não escrevi? As pessoas não podem ficar frustradas, e não podem esperar mais nada de mim, não é?’

Estávamos sentados em imensas poltronas azuis, numa saleta íntima do hotel, de onde se via o anel rodoviário do sul da Cidade do México. Lá fora estava o século XXI, voando. Oito pistas de tráfego incessante.

Ele me olhou e disse:

– Sabe, algumas vezes fico deprimido.

– Como? Você, Gabo, depois de tudo que realizou? Não acredito. Por quê?

Ele gesticulou para o mundo além da janela – a grande artéria de tráfego intenso, a intensidade silenciosa de todas aquelas pessoas comuns vivendo a vida num mundo que não era mais seu -, depois voltou o olhar para mim e murmurou:

– Porque percebo que tudo isso está chegando ao fim”.

Não chegou ao fim. Jamais chegará. Para todos nós, a obra de um criador é sempre um recomeço. Lembro que esse romance em nossa juventude nos deu conforto, humor e um estado de graça para suportar o risco da morte. Foi uma revelação.

As palavras, a frase e o modo de contar de García Márquez nos ensinaram a ler, escrever e contar o mundo. Isso, é claro, já havíamos visto, de modo fundamental, em Cervantes, no Padre Vieira, em Machado de Assis. Isso quer dizer, amigos: narrar, contar uma história, não é dizer, não é o mesmo que falar. Narrar é retirar da realidade mesma, da própria realidade a frase que encarna, que concretiza, que torna imorredoura a sombra, que antes era vaga ou apenas entrevista. Narrar é dar forma ao que antes mostrava apenas traços informes. Gabriel García Márquez se fez o Cervantes do século XX, um criador absoluto. O cara que devolveu a autoestima dos latino-americanos.

Em livros de entrevista, autobiográficos ou biográficos lemos e conhecemos a trajetória da sua vida, e vemos e notamos e aprendemos e apreendemos o escritor antes do sucesso absoluto em todos os continentes, antes de ser o Maestro, o mestre Gabo. Gabriel García Márquez, antes de ser escritor, enfim, era uma alma errante, uma alma perdida a vagar, sem rumo definido. Mas com uma vontade louca de entender o mundo, com uma fome voraz de alimentos de toda sorte, principalmente de literatura.

É exemplar, modelar, a forma com que ele faz tributo e rende homenagens aos grandes que o precederam, inclusive aos grandes que só ele conheceu, porque não ganharam fama. E de tal modo ele lhes reconhece excelência, que parece nos dizer: “olhem, este sim era maior”. E também dos grandes que alcançaram status de criador, como Juan Rulfo, por exemplo, o fecundo romancista que o influenciou, mas não conheceu o boom literário como ele, García Márquez.

Lembro que na pensão, em atividade clandestina, a sua literatura era melhor que cinema, viajar ou beber cerveja. Em meu romance “A longa duração juventude” escrevo:

“Nas mãos de Luiz do Carmo, as páginas de Cem Anos de Solidão voavam, de voo mesmo, não só pela rapidez com que eram passadas, mas com o bater de asas que pareciam se agitar no espaço do quarto da pensão, onde as palavras eram pássaros. Então, se naquela imobilidade ele estava bem, todos estávamos seguros. Enquanto os fascistas não vinham, Luiz do Carmo estava defendido pelo romance de García Márquez”.

Bem compreendíamos. Na adesão de Gabriel García Márquz ao socialismo havia um humanismo luminoso, aquele que narrou as pessoas do povo, o seu lugar, a sua terra, o seu barro fundador, que se fez também nosso. Então voltemos a seu livro máximo, Cem Anos de Solidão, que neste 2017 faz 50 anos de luz. Nele vemos: “O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para nomeá-las se precisava apontar com o dedo”. Assim foi, assim é. Tudo enfim que continua a ser tão recente, que ainda precisa receber nomes apontados com o dedo.
*Diário de Pernambuco

Conheça a lista dos 500 maiores devedores da Previdência

Dívida é o triplo do déficit anual calculado pelo governo. Entre as devedoras, estão as maiores do país, como Bradesco, Caixa, Marfrig, JBS e Vale


Reforma da Previdência ignora 426 bilhões devidos por empresas ao INSS


Enquanto propõe que o brasileiro trabalhe por mais tempo para se aposentar, a reforma da Previdência Social ignora os R$ 426 bilhões que não são repassados pelas empresas ao INSS. O valor da dívida equivale a três vezes o chamado déficit da Previdência em 2016. Esses números, levantados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), não são levados em conta na reforma do governo Michel Temer.

“O governo fala muito de déficit na Previdência, mas não leva em conta que o problema da inadimplência e do não repasse das contribuições previdenciárias ajudam a aumentá-lo. As contribuições não pagas ou questionadas na Justiça deveriam ser consideradas [na reforma]”, afirma Achilles Frias, presidente do Sindicado dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz).


A maior parte dessa dívida está concentrada na mão de poucas empresas que estão ativas. Somente 3% das companhias respondem por mais de 63% da dívida previdenciária. A procuradoria estudou e classificou essas 32.224 empresas que mais devem, e constatou que apenas 18% são extintas. A grande maioria, ou 82%, são ativas.
Arte: Eugênia Pessoa/Repórter Brasil

Na lista das empresas devedoras da Previdência, há gigantes como Bradesco, Caixa Econômica Federal, Marfrig, JBS (dona de marcas como Friboi e Swift) e Vale. Apenas essas empresas juntas devem R$ 3,9 bilhões, segundo valores atualizados em dezembro do ano passado.

A Repórter Brasil entrou em contato com essas empresas para entender quais são os pontos em desacordo. O Bradesco afirma que não comenta processos judiciais. A JBS diz que está negociando a dívida com a Receita Federal.

A Marfrig afirma, em nota, que discute judicialmente a possibilidade de compensação de débitos previdenciários com créditos relativos ao PIS e a COFINS e que negociou o parcelamento da dívida. A Vale informa que possui questionamentos judiciais referentes às contribuições previdenciárias e que ofereceu garantias da dívida, o que a permite estar em ‘regularidade fiscal’. A Caixa Econômica Federal não se pronunciou.

Fonte Intersindical





O que Paulo Skaf tem a dizer sobre a Odebrecht?

Paulo Skaff caminha durante campanha ao governo do Estado em 2014 (Foto: André Lucas Almeida/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Por Ricardo kotscho no Blog Balaio do kotscho

A pergunta que não quer calar: por que Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), citado tantas vezes nas delações sobre as doações feitas pela Odebrecht ao PMDB, ainda não foi ouvido pela Lava Jato nem pelos jornalistas que fazem a cobertura diária da operação?

Até agora, pelo menos que eu tenha visto, não se tornou pública nenhuma declaração do empresário sobre o assunto.

O nome dele voltou a ser falado durante as quatro horas do depoimento de Marcelo Odebrecht, em Curitiba, nesta quarta-feira.

O ex-presidente da empreiteira contou que, antes do já célebre jantar com Michel Temer no Palácio do Jaburu, durante a campanha eleitoral de 2014, ele recebeu do executivo Cláudio Mello, um dos 77 delatores da Odebrecht, o pedido de R$ 6 milhões feito por Paulo Skaf para a sua campanha a governador de São Paulo (ver cobertura completa aqui no R7).

Segundo Marcelo Odebrecht, a solução seria usar parte da verba total de R$ 10 milhões destinada ao grupo político de Temer, por intermédio do hoje ministro Eliseu Padilha, para a campanha de Skaf ao governo paulista.

Ou seja, o empresário-político (ou vice-versa) ficaria com a maior parte da bolada, mas, de acordo com Marcelo Odebrecht, parte do dinheiro não chegou a ser pago.

Desde que seu nome apareceu no noticiário sobre a Lava Jato, no entanto, Skaf sumiu misteriosamente de cena e agora só aparece em propagandas da Fiesp na televisão falando sobre as conquistas do Sesi (Serviço Social da Indústria).

Na eleição de 2014, o presidente da Fiesp ficou em segundo lugar, derrotado pelo governador Geraldo Alckmin, que foi reeleito no primeiro turno.

Criador dos patos amarelos espalhados na avenida Paulista e em Brasília durante a campanha pró-impeachment, Paulo Skaf está afastado do debate político e ainda não se sabe quais são seus planos para 2018.

Em tempo (atualizado às 12h40):

A assessoria de Paulo Skaf divulgou a seguinte nota:

"Todas as doações recebidas pela campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo. Paulo Skaf nunca pediu e nem autorizou ninguém a pedir qualquer contribuição de campanha que não as regularmente declaradas".

Projeto Rota da Baleia Franca planeja ações para 2017

Fomentada pelo Sebrae/SC, iniciativa de fortalecimento do turismo de observação de baleias reúne, esta semana, grupos de trabalho em Laguna, Imbituba e Garopaba

por Jornal Notisul

Os primeiros encontros dos grupos de trabalho (GTs) do projeto Rota da Baleia Franca (RBF), do Sebrae/SC, ocorrem nesta quarta-feira (8) nas cidades do Sul que integram a ação. Laguna, Imbituba e Garopaba vão mobilizar as equipes executivas para discutir a continuidade do processo de gestão, elaboração de um novo catálogo, participação em feiras e missões internacionais.

Durante as reuniões, representantes dos três municípios terão a oportunidade de sugerir melhorias no processo. O novo catálogo que será elaborado é uma das pautas importantes, pois vai conter o material gráfico e informações sobre a RBF. “Esse portfólio permite mostrar nosso potencial turístico em diferentes partes do Brasil, objetivando não só trazer turistas, mas transformar a rota em um destino de ecoturismo de excelência”, explica a gestora do projeto na Coordenadoria Regional Sul do Sebrae/SC, Juliana Baldessar Ghizzo.

Nos últimos 18 meses, os GTs já participaram de diversas feiras nacionais e internacionais, como as de Bonito/MG, São Paulo/SP, Festival Cataratas, em Foz do Iguaçu/PR, e ainda de visitas técnicas a dois importantes destinos de referência na observação de baleias: Abrolhos/BA e na Península Valdés, na Argentina.

Até agora, mais de 200 pequenos negócios e prestadores de serviços receberam capacitação nas áreas de gestão, produtos turísticos, ecoturismo e mercado, com resultados expressivos no turismo regional, principalmente durante a chamada baixa temporada.

Horas de capacitação

O projeto prevê ainda mais nove meses de atividades, com 15 mil horas de consultoria, além de palestras e cursos nas áreas de gestão, marketing, administração, vendas, atendimento, finanças, inovação e tecnologia. “O Sebrae é um motivador do processo, em especial à integração dos municípios que compõem a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia-Franca, afirma o Coordenador Regional Sul do Sebrae/SC, Murilo Gelosa.

Agenda das reuniões:

Laguna: 08/03 | 9h às 11h
Local: Restaurante Atlântico Sul

Garopaba: 08/03 | 16h30 às 18h30min
Local: Pousada do Veio

Imbituba (Rosa): 08/03 | 19h15min às 21h15min
Local: a confirmar

Ultrapassamos cem mil acessos,obrigado aos amigos internautas pelo sucesso do Blog

textosencantadores

domingo, 5 de março de 2017

As novas castas sociais e a vertiginosa ascensão dos inclames, por Sebastião Nunes


por Sebastião Nunes no GGN

Classe média é um estado de espírito, ao contrário do que pensam sociólogos, economistas, publicitários, juristas, políticos e estatísticos.

As duas principais características da classe média são consumismo exacerbado e individualismo predador. A união dessas duas características cria o típico estado de espírito inclâmico, voltado para a destruição em massa de ambientes, bens e pessoas, gerando o individuo que denominei inclame.

Foi o surgimento das grandes cidades que propiciou a amplificação dessas duas características até o grau extremado que se verifica hoje.

Nas cidades pequenas o vizinho era visto como um ser humano a quem se devia um mínimo de respeito e, frequentemente, de solidariedade. Ninguém desperdiçava nada e se consumia apenas o necessário. Fauna, flora e seus habitats naturais existiam em harmonia com os humanos, apenas perturbados esporadicamente pelos, digamos assim, pré-inclames.

Tudo isto acabou.

Basta bater perna por alguns minutos pelas avenidas Paulista (SP), Rio Branco (Rio) e Afonso Pena (BH) para confirmar tal verdade (sic) ao vivo e in loco. Nas demais cidades grandes é a mesma coisa: todos são inimigos anônimos.

O sonho de qualquer indivíduo de classe média (inclame) é se tornar panderoso (aquele que pode tudo), sofrendo absoluto pavor de se tornar mauserável (a ralé social).

Num resumo grosseiro, as castas atuais se distribuem assim:


INCLAMES

São os ratos, baratas, pernilongos, gafanhotos, chatos, carrapatos, bichos-de-pé, percevejos, piolhos, pulgas e muquiranas da espécie humana. Representam cerca de 75,00% de todos nós e são imortais, reproduzindo-se por cissiparidade, capilaridade, proximidade, aglutinação e osmose. Tendem a constituir, até o final do século, 99,99% da população.


PANDEROSOS

Os que podem tudo. Constituem cerca de 0,01% da população, sendo invisíveis a olho nu. Jamais caem do cavalo. Personificam, em sua fechadíssima casta, o ideal supremo dos inclames, que, em todos os casos e, sem nenhuma exceção, aspiram a se tornar panderosos, o que muito rarefeitamente acontece, e só através dos absolutamente canalhas. Só estes, pela canalhice absoluta (aprovada e aplaudida pelos panderosos), conseguem ascender ao nível dos panderosos, com os quais, finalmente, se igualam, passando a usufruir fatias do poder.



MAUSERÁVEIS

São, por exclusão, todos os que não sejam panderosos ou inclames. Representam hoje cerca de 24,99% da população e incluem artistas utopistas, intelectuais inteligentes (pois que os há burríssimos) indivíduos de espírito muito rico ou muito pobre, bandidos pobres (os ricos estão no poder representando os inclames) e os marginais de todas as marginálias. Sempre caem do cavalo, mesmo dos pangarés mais lerdos. Na maioria – desgraçadamente –, sonham secretamente se tornar inclames.


ESMIUÇANDO OS CONCEITOS

Basta por hoje. Com vagar e paciência, desdobrarei os conceitos acima, de modo que todos se certifiquem de que os tempos mudaram. Estamos vivendo uma época até há pouco inconcebível, em que uma direita absolutamente autoritária, desnorteada, burra e ignorante dá as cartas, todos os tipos de cartas, montada numa oposição que finge ser oposição.

Quantos anos de inclamidade nos esperam? Não sei. Ninguém sabe.