segunda-feira, 23 de março de 2020

Após pressão popular, Bolsonaro volta atrás e contratos de trabalho não poderão ser suspensos

Contratos de trabalho não poderão ser rompidos (Wilson Dias/Agência Brasil + Marcello Casal/Agência Brasil)


Por Portal BHAZ
  
O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), voltou atrás em um artigo de medida provisória, publicada em edição extra do Diário Oficial da União desse domingo (22), que permitia a suspensão de contratos de trabalho por até quatro meses, sem o pagamento de salário. A informação foi divulgada no início da tarde desta segunda-feira (23), pelo Twitter.

A MP gerou repercussão negativa para o mandatário nas redes sociais. Frases como “Bolsonaro genocida”, “quatro meses sem salário” e “MP da morte” foram os assuntos mais comentados na manhã desta segunda-feira (23), no Twitter.

Outras medidas

As outras decisões da MP não foram anuladas. Durante o período de calamidade pública, está permitido:
O teletrabalho (ou trabalho remoto)
  • A antecipação de férias individuais
  • A concessão de férias coletivas
  • O aproveitamento e a antecipação de feriados
  • O banco de horas
  • A suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho (como exames médicos ocupacionais e treinamentos) 
Além disso, está suspenso o recolhimento de FGTS para os meses de março, abril e maio.

Pressão

Os internautas criticaram o presidente nas redes sociais. A maioria dos usuários acredita que o mandatário voltou atrás após a chuva de críticas. “A pressão popular deu resultado”, disse um usuário. “Agora só falta revogar teu mandato”, escreveu outro.

QUEM SOMOS

Portal de notícias de BH. Informações em tempo real. Política, polícia, colunas, agenda cultural, entretenimento, turismo, negócios, vagas de emprego e muito mais sobre Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil 

MP 927 suspende contrato e salário por 4 meses: o que muda?

Salário: com nova MP, pagamento pode ser suspenso por 120 dias. para advogados, medida deixa o trabalhador desprotegido (CSA Images/Getty Images).

Por Tamires Vitorio - Exame

Neste domingo (22), o governo do presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória que permite que contratos de trabalho e salários sejam suspensos por até quatro meses, o período que dura a declaração de calamidade pública.

A medida faz parte de um pacote para lidar com a pandemia de coronavírus. Segundo o governo, a MP é uma forma de “evitar as demissões em massa”.
Mas o que isso implica na vida do trabalhador?

“Na prática isso significa que o governo jogou todo o ônus da crise econômica nas costas do trabalhador. As empresas estão ganhando crédito para se manter nessa época. Para o empregado, sobrou a parte ruim”, explica o advogado trabalhista Ronaldo Tolentino, sócio da Ferraz dos Passos Advocacia.

Com a MP, as empresas têm as seguintes opções para lidar com a crise: o empregador pode dar férias coletivas, pode antecipar as férias individuais ou feriados e pode, por fim, suspender os contratos e salários.

Durante o período de suspensão, o valor do Fundo de Garantia (FGTS) não será recolhido. A empresa pode recolher o fundo ao fim dos quatro meses, sem juros e sem multa.

A CLT prevê que, quando o trabalhador tira férias, deve receber o salário mais um terço antes de aproveitar o benefício. Com a MP, se o descanso for antecipado, o valor pode ser pago somente depois dos quatro meses e o 1/3 até o final do ano, junto ao 13º.

A MP não garante estabilidade e coloca o “acordo individual” como principal forma de decisão. Para Tolentino, isso deixa o trabalhador desprotegido. “Fica complicado: ou você aceita a suspensão do contrato, ou é mandado embora. É um acordo individual onde as partes não estão em pé de igualdade”, explica.
Caso as empresas optem por suspender o contrato dos funcionários, elas devem fornecer um curso de capacitação não presencial. Esse já era um ponto previsto na CLT.

“Mas como o funcionário vai se alimentar? Como ele vai pagar a internet para ter acesso a isso? É muito complicado se a gente pensar na situação brasileira. A maioria dessas pessoas não consegue fazer uma reserva, recebe o salário e já está tudo ali empenhado com alimentação, educação, saúde”, afirma o advogado trabalhista Mauricio Corrêa da Veiga, sócio do Corrêa da Veiga Advogados.

A medida prevê uma ajuda de custo facultativa ao colaborador no período da suspensão do contrato, sem valor mínimo especificado.
Para o contrato ser suspenso, o funcionário precisa concordar. Uma vez que ele concordar, não existe outra opção: o contrato será suspenso, o curso será oferecido e ele terá de esperar o período acabar.

A situação muda caso o funcionário não aceite e a empresa o suspenda mesmo assim. “Dessa forma a suspensão não tem validade e ele poderá reivindicar depois toda a verba que ele teria direito nesse período”, garante Marcelo Mascaro, advogado sócio na Mascaro Nascimento Advogados.

Quando o período de suspensão acaba, na CLT, existe uma garantia do emprego e o funcionário não pode ser dispensado por um certo tempo. “A MP não traz nenhuma previsão sobre isso. Para se preservar os empregos, efetivamente, seria interessante ter um ponto que aborde isso”, afirma Mascaro.

Toletino acredita que a medida pode causar um problema social grave. “O trabalhador vai conseguir comprar comida, vai conseguir pagar as suas contas? Em situações mais extremas, pode gerar saques nas ruas”, diz.

Para Veiga, economicamente falando, em um futuro próximo, a MP trará mais problemas do que soluções. “Não adianta você salvar sua empresa e deixar ali uma massa de desempregados e um contingente que não tem a menor estrutura para poder consumir. Se não houver uma distribuição de renda ou um auxilio maior do próprio governo, o futuro será catastrófico”, diz.

Mais cedo, Jair Bolsonaro publicou em seu perfil no Twitter que “o governo entrará com ajuda nos próximos 4 meses, até a volta normal das atividades do estabelecimento”. Na MP atual não está previsto nenhum tipo de auxílio governamental.

Por se tratar de uma medida provisória, ela passa a ser válida imediatamente, mas precisa ser votada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados em até 120 dias (ou seja, os quatro meses previstos para a suspensão).

Outros países tomaram decisões econômicas diferentes para proteger os trabalhadores.

O Reino Unido, por exemplo, afirmou que vai bancar 80% do salário dos empregados em meio à crise do coronavírus.

Já os Estados Unidos permitirão que trabalhadores de empresas com até 500 funcionários que estejam contaminados com o vírus tirem duas semanas de licença remunerada do trabalho, com pagamento integral do salário durante o período de afastamento.

Em Portugal, quem ficar em casa para cuidar de filhos menores de 12 anos vai receber dois terços do salário — um terço pago pelo governo. Os autônomos no país receberão uma ajuda de custo do governo por até seis meses.

CORONAVÍRUS: SEM LICITAÇÃO, MANDETTA PAGA 67% MAIS CARO PARA COMPRAR MÁSCARAS DE EMPRESA DE BOLSONARISTA

O ministério comandado por Luiz Henrique Mandetta autorizou em 5 de março a dispensa de licitação para o contrato nº 54/2020. Ele prevê o gasto de R$ 2,4 milhões na compra de 1,5 milhão de máscaras a um preço unitário de R$1,60. Só que, no mesmo dia, o Ministério da Saúde fechou outro contrato para a compra do mesmo produto. A vendedora, dessa vez, foi a BRT Medical de Materiais Hospitalares, de João Pessoa. Idênticas às da Farma Supply, cada máscara da BRT irá custar 40% menos: R$ 0,96 a unidade.

Por Intercepty Brasil

SEM QUALQUER EXPERIÊNCIA em fornecimento de material hospitalar, uma empresa chamada Farma Supply ganhou do Ministério da Saúde dois contratos para a compra de máscaras cirúrgicas que juntos somam R$ 18,2 milhões.

Graças ao estado de emergência decorrente da pandemia do coronavírus, a empresa foi escolhida sem que houvesse concorrência pública. As máscaras que ela fornece, porém, são 67% mais caras que a de uma concorrente que também fornece ao governo federal.

A Farma Suply tem como sócio e administrador Marcelo Sarto Bastos, um militar aposentado da Marinha e bolsonarista fervoroso. Em sua página no Facebook, ele tem um histórico de postagens a favor do presidente Jair Bolsonaro e aliados. É também apoiador da criação do Aliança, o partido que o presidente quer criar.


domingo, 22 de março de 2020

Flama entra com ação civil pública para demolição de obra irregular no Farol de Santa Marta


Por laguna.sc.gov.br

A Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama) ajuizou hoje (17) uma ação civil pública, na Justiça Federal, solicitando a demolição de uma edificação situada no Morro do Cabo de Santa Marta Grande (Farol de Santa Marta), considerada área de preservação permanente, onde não é permitido construir pela lei orgânica do município, bem como a recuperação ambiental da área construída.

A ação visa também a condenação do réu no pagamento de indenização pelos danos ambientais causados no valor de R$ 100 mil, além de indenização a título de danos morais no valor de R$ 100 mil, por colocação de placa indevida em frente ao imóvel, utilizando-se do nome da instituição para passar a falsa impressão de que a obra havia sido autorizada pela Fundação.

No âmbito administrativo, a Flama instaurou processo administrativo de fiscalização ambiental com o objetivo de impedir a continuidade da construção.

A construção havia sido embargada pela Flama em abril de2019, e foi descumprido pelo proprietário do imóvel.
  
No âmbito administrativo do licenciamento ambiental, em nenhum momento a FLAMA autorizou a construção. O réu solicitou autorização ambiental para consulta de viabilidade para construção, mas todos os pareceres técnicos opinaram pelo indeferimento do pedido.

Mesmo com todas as medidas adotadas no âmbito administrativo, a obra continuou a ser executada e a Flama precisou acionar o Poder Judiciário para a cessação dos danos ambientais.

No momento, os pedidos de tutela de urgência da ação civil pública proposta pela FLAMA aguardam decisão liminar do Juízo da 1ª Vara Federal de Laguna.



Corrida para salvar vidas: Escassez de respiradores desafia atendimento aos casos graves da pandemia

País, tem 65 mil ventiladores, o equivalente a três equipamentos para cada dez mil habitantes. Desse total, 46,6 mil estão no SUS. Foto: Stephane Mahe / Reuters

Por Agora Noticias Brasil

A rapidez com que o novo coronavírus se multiplica no país acende o alerta para a incapacidade do sistema de saúde brasileiro atender, no curto prazo, a todos os casos graves decorrentes da epidemia.

A corrida dos governos estaduais e do Ministério da Saúde para aumentar a disponibilidade de leitos de UTIs tem obstáculos adicionais, já enfrentados por países com aumento exponencial de infecções: conseguir, em tempo recorde, os insumos e equipamentos necessários para o atendimento, principalmente ventiladores mecânicos.

O temor é faltar velocidade na aquisição de novos respiradores — considerados essenciais no tratamento de uma doença que ataca os pulmões e provoca insuficiência respiratória — e na compra de equipamentos de proteção individual, como máscaras.


Vídeo: Jaraguá do Sul é a primeira cidade do Brasil a desinfetar ambientes públicos


Por Gustavo Luzzani - ocp.news

Diversos ambientes públicos de Jaraguá do Sul passaram por um processo de sanitização entre a tarde e noite deste sábado (21).
A medida da Prefeitura visa diminuir a circulação de microrganismos críticos para saúde pública, como fungos, bactérias e alguns vírus, como o coronavírus.

O processo é o mesmo que parte da Europa está adotando. No Brasil, Jaraguá do Sul é a primeira cidade a anunciar a medida.

Neste sábado, a Imunizadora Jaraguá desinfetou as frentes dos supermercados, das farmácias, dos postos de saúde, do Pama, do Centro Vida, do terminal urbano de ônibus, do calçadão e da Prefeitura.

“Estamos somando esforços para proteger a população. Mas nada disso terá importância se cada um não fizer a sua parte. É tempo de ficar em casa, de cuidar de si e assim proteger a todos”, ressaltou o prefeito Antídio Lunelli.

Segundo Fernando Voigt, da Imunizadora Jaraguá, o produto que será utilizado é o Combacter 800 Pro, sanitizante formulado especialmente para higienização e desinfecção de locais e superfícies com potencialidade de contaminação do COVID-19.

O Combacter não faz mal à saúde e após 15 minutos da aplicação, as pessoas podem voltar a usar estes espaços.

Quem são os aliados, empresários e militares de saco cheio de Bolsonaro após crise do coronavírus

A negligência bolsonarista diante da pandemia do novo coronavírus parece ter sido a gota d`água e fez as panelas tocarem no país inteiro. Foto: Paulo Lopes/BW Press/Folhapress

Por João Filho – The Intercepty Brasil

O GOVERNO BOLSONARO acabou. Ele continua no cargo, mas moralmente não é mais o presidente. A negligência bolsonarista diante da pandemia do novo coronavírus foi a gota d`água e fez as panelas tocarem no país inteiro. Desta vez, o bolsonarismo não conseguiu disfarçar sua incompetência apostando nas batalhas de narrativa. A realidade dos cadáveres da pandemia atropelou quem até ontem jurava que tudo não passava de “fantasia” e “histeria” da imprensa.

No bairro em que moro em São Paulo, onde o presidente obteve 75, 47% dos votos, o barulho nas varandas foi gigantesco. Além da base eleitoral bolsonarista estar minguando, os aliados políticos, os militares e os empresários têm demonstrado estar de saco cheio. “Bolsonaro acabou”, como bem vaticinou o haitiano em frente ao Alvorada.

Os empresários, que antes topavam qualquer absurdo bolsonarista em troca da aprovação das reformas, já dão sinais de que vão abandonar o barco à deriva. Eles se tocaram que vão perder muito dinheiro com uma economia comandada por gente que possui a mesma destreza dos chimpanzés. O filhote do presidente Eduardo Bolsonaro, por exemplo, resolveu atacar a China, nosso principal parceiro comercial, em um momento de profunda recessão econômica. No dia seguinte, seu pai admitiu que poderia pedir ajudar aos chineses para conter a pandemia. Até tentou ligar para o presidente chinês, mas não foi atendido.