segunda-feira, 22 de julho de 2019

Mercado público será inaugurado em dezembro

Edital para licitação dos boxes ocorrerá nos próximos meses Primeiro andar vai ter um deck na área dos restaurantes.
Foto créditos: Taís Sutero/Gecom.

O pôr do sol no centro histórico nunca mais será o mesmo, depois da inauguração do mercado público revitalizado, prevista para o próximo 6 de dezembro. A cidade vai ter um atrativo turístico diversificado. Obra orçada em R$ 5.667.898,74, recursos do BNDES, através da lei Rouanet e do Governo Municipal.

O espaço terá 90 metros de comprimentos com 12 metros de avanço para a Lagoa Santo Antônio, ao lado das Docas, e seis metros no lado direito.

O prédio foi erguido na década de 50 na beira da lagoa Santo Antônio dos Anjos. O pôr do sol costuma ocorrer entre os morro da Antena, no distrito do Ribeirão Pequeno, proporcionando um visual colorido no reflexo da água. Quem tiver no Mercado Público terá dois decks para acompanhar o espetáculo, saborear gastronomia local, comprar frutas, verduras, peixe e artesanato.

Enquanto a obra ocorre, os moradores e turistas aproveitam o cais para apreciar. "Daqui eu vejo o mercado e fico imaginando quando ficará pronto. Será um ponto de encontro", prevê Lucas Lemos, universitário.

A presidente da Fundação Lagunense de Cultura, Mirella Honoratto valoriza a identificação do povo lagunense com o mercado. "A requalificação do Mercado Público é importante porque representa espaço de sociabilidade. O nosso mercado faz parte da história da cidade. A comunidade estava desacretitada. Receber de volta o espaço, está relacionado com a auto-estima da população. propriação deste bem, por isso ele tornou tão importante para todos nós", disse.

O projeto de restauro da edificação foi elaborado em 2010 e 2011 pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan),com auxílio de técnicos da prefeitura na época. A obra iniciou em 2014, por problemas judiciais parou em 2015. Retornando em 2019.

Boxes serão mais de 20

A secretária da Fazenda e Administração, Luciana Pereira, esclarece que o edital para as licitações dos boxes está sendo estudado por uma comissão. A expectativa é lançar nos próximos meses.

"Precisamos manter a essência do mercado, observar bem as suas características e a realidade de Laguna", já afirmou o prefeito Mauro Candemil.

A arquiteta Ana Paula Citadin, do escritório do Iphan de Laguna, enfatizou sobre a pesquisa histórica levantada da ocupação do mercado, voltado para cultura local como verdureiras, açougues, floriculturas, peixarias, artesanatos e lanche.

Serão aproximadamente 20 boxes licitados, além de pagar a concessão será cobrado o aluguel mensal do espaço.

Também haverá área para exposições e atrações culturais.


Informações Prefeitura de Laguna

domingo, 21 de julho de 2019

II Jornada de Direito Animal: desafiando paradigmas


Daqui a exatamente um mês ocorrerá a II Jornada de Direito Animal, um evento totalmente voltado ao estudo, ao debate e à reflexão crítica sobre a atual situação dos animais não-humanos. Grandes nomes ligados à causa animal já confirmaram presença na Jornada: a Dra. Sônia T. Felipe, o Juiz federal Vicente Ataide Junior, o Dr. Rogério Rammê, a Dra. Nina Disconzi Rodrigues, o Dr. Renato Silvano Pulz e muitos outros.

A II Jornada ocorrerá de 19 a 23 de agosto de 2019, na Faculdade Estácio do Rio Grande do Sul, localizada na Rua Marechal Floriano, 626, Centro de Porto Alegre-RS. As palestras serão gratuitas e os participantes receberão certificado de 12 h. Além das palestras, haverá quatro Grupos de Trabalho (GTs), para os quais poderão ser enviados resumos para posterior comunicação oral. A participação nos GTs também será gratuita. São os seguintes os Grupos de Trabalho: 

  • GT1: DOGMÁTICA DO DIREITO ANIMAL BRASILEIRO – Coordenação: Prof. Dr. Vicente de Paula Ataíde Junior (UFPR) e Doutoranda Amanda Bellettini Munari (UNESC).
  • GT2: ASPECTOS TRANSDISCIPLINARES DO DIREITO ANIMAL – Coordenação: Me. e M.V. Gisele Kronhardt Scheffer (UAB e Estácio).
  • GT3: OS MOVIMENTOS SOCIAIS DE DEFESA DOS ANIMAIS COMO FONTE DE DIREITOS – Coordenação: Profª Me. Bianca Pazzini (FMP).
  • GT4: OS ANIMAIS E AS RELAÇÕES DE PODER – Coordenação: Profª Me. Waleska Mendes Cardoso (FADISMA).
Vale ressaltar que também haverá um Minicurso de “Introdução do Direito Animal”, com valor simbólico de R$ 50,00 e certificado de 15 h.

Importante observar que no dia 21 de agosto haverá o lançamento do livro “Estudos Criminais de Direito Animal”. Esta obra, fruto da Segunda Comissão de Estudos em Direito Animal e coordenada por Gisele K. Scheffer, é uma louvável iniciativa do Canal Ciências Criminais e propõe-se a debater e a levantar relevantes questões acerca de temas ligados aos aspectos criminais do Direito Animal.

Autores de diferentes e importantes áreas realizam, com a seriedade que o tema merece, abordagens inquietantes e muitas vezes até perturbadoras – porém realistas –, de situações às quais os animais não-humanos ainda são submetidos. Uma obra a ser lida por todos aqueles que anseiam pela urgente mudança tão necessária para superar o paradigma antropocêntrico, a exemplo do que já ocorre em alguns países.

São enfocados os animais que atuam nas Forças Armadas; a degradação ambiental e a morte de animais presentes nos reality shows de sobrevivência; ao maus-tratos  nos rodeios; a legislação comparada de proteção animal entre o Brasil e outros países da América Latina; o ecofeminismo e o Direito Animal; zoofilia; abandono; crueldade no confinamento dos animais de produção; pesquisas desenvolvidas na Alemanha sobre maus-tratos; e muitos outros interessantes temas.

Ainda há tempo de fazer sua inscrição na Jornada pelo site. Para ser inscrever, clique AQUI. As vagas são limitadas


Por Gisele Kronhardt Scheffer – Canal Ciências Criminais

sexta-feira, 19 de julho de 2019

MP de Bolsonaro quer trabalho aos sábados, domingos e feriados, sem direitos

MP 881, que pode se tornar lei, propõe cortar direitos de quem trabalha em dias especiais, como horas extras e auxílio alimentação e coloca em risco segurança e saúde no trabalho ao flexibilizar fiscalização.

MP 881, que pode se tornar lei, propõe cortar direitos de quem trabalha em dias especiais, como horas extras e auxílio alimentação e coloca em risco segurança e saúde no trabalho ao flexibilizar fiscalização

Conhecida como minirreforma trabalhista, a Medida Provisória (MP) nº 881 pode se tornar lei e trazer ainda mais retrocessos para a legislação trabalhista brasileira.

Como o governo de Jair Bolsonaro (PSL) havia anunciado em sua campanha, a intenção é afrouxar regras para favorecer a classe empresarial brasileira.

A proposta original da MP, que tramita no Congresso Nacional em caráter de Projeto de Conversão de Lei (45/2019), era para mudar onze itens. Ao passar pela comissão mista da câmara, a MP foi alterada pelo relator Jerônimo Georgen (PP-RS), que propôs mudar mais de 50 itens da lei.

Um dos principais ataques apontados por especialistas é a liberação do trabalho aos domingos e feriados para mais categorias. Atualmente, a legislação prevê que os trabalhadores que exercem atividade nos fins de semana e feriados tenham remuneração diferenciada pelas horas trabalhadas, além de escala especial de folgas. Com a alteração proposta por Georgen, as empresas ficariam isentas de arcar com esses direitos.

O secretário de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle, explica que a MP passa a tratar os dias especiais como dias normais de trabalho e, com isso, os direitos adquiridos serão perdidos.

“Algumas categorias têm regras específicas garantindo valores para alimentação, horas extras, escalas de folgas diferenciadas, mas a medida provisória pode acabar com tudo isso”, pontua o dirigente.

“Vai ficar a critério da empresa decidir quando o trabalhador vai ter que trabalhar e quando terminar a vigência de acordos coletivos que preveem regras especiais, os patrões, embasados na lei, não vão querer negociar benefícios para os trabalhadores”.

O advogado trabalhista, José Eymard Loguércio, acredita que em um curto prazo as consequências da MP 881 serão mais precarização, menores remunerações e impacto negativo na economia brasileira.

“Nenhum país que adotou regras semelhantes apresentou melhores índices de geração de emprego. Pelo contrário, as jornadas aumentaram para quem já trabalhava”.

Eymard lembra que em um país com alto índice de rotatividade como o Brasil a substituição da mão de obra é fácil para os empresários. A reforma Trabalhista, um exemplo de flexibilização dos direitos, não gerou postos de trabalho, afirma.

“O que está acontecendo é o aumento do desemprego e da rotatividade. Um grande contingente de pessoas que estavam empregadas, com um padrão de rendimento foram demitidas e contratadas por valores menores”, diz o advogado.

Direito Civil

Outro ponto crítico da Medida Provisória 881 é a sobreposição das regras do Direito do Trabalho pelas regras do Direito Civil.

Na prática, significa que contratos firmados com valores acima de 30 salários mínimos (R$ 29.940,00) não teriam a mesma proteção das leis trabalhistas. “Seriam uma espécie de acordo comum firmado entre as partes, sem base em regras trabalhistas”, explica a presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), juíza Noêmia Garcia Porto.

Ela afirma que nesse ponto a medida não tem nenhum ‘respaldo’ constitucional, porque segrega os trabalhadores, dividindo-os em ‘castas’. “A Constituição proíbe qualquer discriminação entre tipos de trabalhadores”, diz Noêmia.

Para a juíza, fica claro que a lógica da MP é de que trabalhadores nessa faixa salarial não devem ter proteção social, o que, ela diz, não é verdade.

Impunidade

A MP 881 também dificulta o acesso da justiça a bens de proprietários e sócios de empresas julgadas como devedoras em ações trabalhistas. Atualmente, após a condenação há um recurso chamado Desconsideração da Pessoa Jurídica (DPJ) que determina que os sócios respondam com seu patrimônio, caso a empresa não tenha bens para quitar a dívida.

Para a presidente da Anamatra, isso poderá criar um ambiente de impunidade, uma vez que o trabalhador ganhará a ação e não conseguirá receber os valores.

Empresários beneficiados

O secretário de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle, afirma que a vida do trabalhador, na prática, muda, tanto do ponto de vista social como do ponto de vista econômico, já que ele vai ser submetido a horários incomuns de trabalho e com menor remuneração.

Para o dirigente, a chamada ‘liberdade econômica’ pregada por Bolsonaro, na verdade, é mais uma ação deste governo de extrema direita para retirar direitos dos trabalhadores.

“E no que diz respeito à economia”, prossegue o dirigente, “não dá para saber onde eles querem chegar com medidas como essa, já que a remuneração vai ser menor, os empregos serão precários e a reforma Trabalhista já provou que isso não é solução para crise”.

Valeir cita ainda um exemplo clássico da história para ilustrar o que tira um país da crise. “Henry Ford, em 1914, dobrou o salário dos trabalhadores de sua linha de produção e reduziu a jornada para oito horas diárias. Assim foi preciso criar um terceiro turno para manter a produção”.

O resultado dessa estratégia, comprovado pela história, foi que os próprios trabalhadores, com poder de compra maior, passaram a adquirir os automóveis que produziam, o que já dizia Henry Ford, era “bom para a economia”.

A presidente da Anamatra, Noêmia Garcia Porto, concorda e complementa “parece que essa ideia de afrouxamento está baseada no senso comum, construído pela mídia, de que reduzindo proteção, se consegue incrementar a atividade econômica, mas não há nenhum estudo e nenhuma estatística que comprove isso”.

Ataques da MP 881

Outros pontos da MP, considerados graves pelo movimento sindical e juristas do trabalho são:

– Criação da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) digital e sem garantia de acesso efetivo para todos os trabalhadores acerca de suas informações. O advogado José Eymard Loguércio observa que o Brasil tem um grande contingente de excluídos digitais e que, portanto, não teriam acesso a esse recurso.

– Criação de mecanismos que dificultam a fiscalização e autuação fiscal e retira os sindicatos do sistema;

– Fim do e-Social;

– Fim da obrigatoriedade das CIPAs (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), tornando-as facultativas.

Tramitação

O relatório do deputado Jerônimo Georgen, que “inchou” a medida provisória, foi votado na comissão especial da Câmara, na quinta-feira (11) e após o recesso parlamentar, deverá ir a plenário. A MP será votada na Câmara e no Senado. Se for aprovada, passa a valer como lei.

A CUT vai se reunir com as demais centrais sindicais ainda no mês de julho e dialogar com todos os partidos para que a medida seja alterada na Câmara. “Ou trabalhar para a medida caducar [perder a validade] em setembro”, diz Valeir Ertle.

O dirigente criticou a forma como a medida entrou em pauta. Segundo ele, havia um acordo entre os parlamentares de discutir o tema somente após a votação da reforma da Previdência, No entanto, o relator colocou a MP em votação.

A presidente da Anamatra vê na tramitação um problema democrático já que a medida impacta a vida de milhões de brasileiros e não foi debatida com a sociedade. Noêmia Porto ainda afirma que “foi a mesma coisa com a reforma Trabalhista. Começou um texto modesto e no meio da tramitação o texto foi inchado, dificultando o diálogo com a sociedade”.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia considerado inconstitucional esse método de ‘inchaço’ de medidas. Duas ações de inconstitucionalidade da MP 881 aguardam julgamento na suprema Corte.

Fonte: CUT Brasil | Escrito por: Andre Accarini | Imagem: Contraf-CUT

BEIRANDO AO RIDÍCULO! DEPOIS DE ABANDONAR A PREFEITURA, VICE-PREFEITO DE IMBITUBA REAPARECE CORTANDO CABELO DE CADEIRANTE


Os marqueteiros das campanhas eleitorais são mestres em manipular emoções. Argumentam que as pessoas escolhem um candidato pela impressão que sua figura passa.

Seguindo a risco ensinamentos de marketing político para melhorar sua imagem perante a opinião pública depois de abandonar a prefeitura e a população, o vice-prefeito Zaga (MDB) posta foto nas redes sociais cortando cabelo de um cadeirante.

Seria uma boa ação se não fosse o político fujão candidato nas eleições do ano que vem.

Será que cola?

DESATINOS DA POLÍTICA EXTERNA AMERICANA PENALIZA EXPORTAÇÃO BRASILEIRA

O “MV Bavand” já está carregado com 48,4 mil toneladas de milho e aguarda o fornecimento de combustível desde o dia 8 de junho. Já o “MV Termeh” deverá seguir para o Porto de Imbituba (SC) e carregar cerca de 60 mil toneladas de milho a granel. Somadas, as cargas superam os 100 milhões de reais. O destino dos navios é o Porto Bandar Imam Khomeini, no Golfo Pérsico. Airton Fernandes – SECOM e (Foto: divulgação/Porto dos Paraná)

Mesmo mergulhado em grave crise econômica o Brasil de Bolsonaro não faz movimento alguma para normalizar comércio exterior com Iran e quatro navios de bandeira daquele país asiático permanecem mais de meses impedido de abastecer nos portos de Paranaguá e Imbituba. 

Os EUA têm ampliado suas sanções contra o Irã neste ano, visando atingir setor petrolífero do país. Isso atrapalhou o reabastecimento dos navios, com a estatal Petrobras recusando-se a vender combustível por temer represálias ao violar as regras norte-americanas.

Além dos navios Bavand e Termeh, fundeados em Paranaguá (PR), outros dois navios de bandeira iraniana (Ganj e The Finder) estão fundeados em Imbituba na mesma situação.  Os quatro navios trouxeram ureia ao Brasil e pretendem retornar ao Irã carregando milho brasileiro.

 Veja matéria completa: Band 

Dois navios cargueiros de bandeira iraniana estão há mais de 30 dias esperando para atracar no píer da Petrobrás, em Paranaguá. Juntos eles precisam abastecer 1.700 toneladas de combustível HFO 380 para poder seguir viagem.

Segundo publicou a revista Portos e Navios, a afretadora dos navios “MV Bavand” e “MV Termeh”, a Petrobras se negou a fornecer combustível aos cargueiros, porque eles estão na lista da OFAC – órgão financeiro que controla ativos estrangeiros dos Estados Unidos, ligado ao departamento de tesouro do governo norte-americano.

O “MV Bavand” já está carregado com 48,4 mil toneladas de milho e aguarda o fornecimento de combustível desde o dia 8 de junho. Já o “MV Termeh” deverá seguir para o Porto de Imbituba (SC) e carregar cerca de 60 mil toneladas de milho a granel. Somadas, as cargas superam os 100 milhões de reais. O destino dos navios é o Porto Bandar Imam Khomeini, no Golfo Pérsico.

Cada navio conta com cerca de 15 tripulantes a bordo. As empresas afretadoras têm gastos de US$ 15 mil somente com o pagamento de sobrestadia dos navios, além de despesas extras por dia de afretamento. Se não houvesse essa negativa da Petrobras, os navios teriam abastecido em cerca de 10 horas após a atracação.

O processo tramita em segredo de Justiça a pedido da estatal brasileira, sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Procurada pela BandNews Paranaguá, a assessoria de imprensa da Petrobras não se manifestou até a manhã desta terça-feira. A reportagem também buscou ouvir a Marinha do Brasil, mas a Capitania dos Portos do Paraná informou que não tem ação no caso. A Agência Marítima, que atende os navios em Paranaguá, disse que não iria se manifestar.

Reportagem: Kelly Frizzo - (Foto: divulgação/Arilson Peres)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Novas mensagens sugerem que Moro descumpriu a lei e influenciou em delações

Conversas entre procuradores indicam que o então juiz teria avisado ter intenção de só homologar delações se pena proposta aos executivos fosse de pelo menos um ano de prisão em regime fechado (foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil).

Por Correio Brasiliense

Novas mensagens do Telegram obtidas pelo site The Intercept e divulgadas, nesta quinta-feira (18/7), pelo jornal Folha de S. Paulo indicam que o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, teria interferido em delações premiadas de executivos da construtora Camargo Corrêa, em 2015, quando ainda era juiz da Operação Lava-Jato. De acordo com o conteúdo, a interferência chegou a causar incômodo entre os integrantes da força tarefa. 


Em nota ao jornal, o ministro Sérgio Moro negou qualquer interferência sobre as delações e afirmou que, cabe ao juiz somente homologar ou não os acordos. Mais uma vez ele diz desconhecer a autenticidade das mensagens. A força-tarefa da Lava-Jato também disse não reconhecer as mensagens. A Camargo Corrêa não quis se pronunciar.


As conversas entre os procuradores indicam que Moro teria avisado ao grupo ter intenção de só homologar delações se a pena proposta aos executivos fosse de pelo menos um ano de prisão em regime fechado. A referência à orientação de Moro é feita pelo procurador Deltan Dallagnol em mensagem no dia 25 de fevereiro de 2015, quando ele responde ao procurador Carlos Fernando.

Dallagnol pergunta a Carlos Fernando se ele quer fazer os acordos da Camargo com a 'pena' de Sérgio Moro discordar e recomenda o contrário. "Acho perigoso pro relacionamento fazer sem ir FALAR com ele, o que não significa que seguiremos. Podemos até fazer fora do que ele colocou (quer que todos tenham pena de prisão de um ano), mas tem que falar com ele sob pena de ele dizer que ignoramos o que ele disse”.

No dia anterior, Carlos Fernando havia dito a Deltan que o procedimento de delação "virou um caos" e que, se ele e Januário são encarregados dos acordos, somente eles deveriam tratar do assunto. "Você é o Promotor natural e pode discordar, e eu sempre ouço todos, mas o que vejo agora é um tipo de barganha onde se quer jogar para a platéia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado, sem realmente ir em frente", escreve Carlos. 

O procurador Carlos Fernando diz ainda não saber fazer delação "como se fosse um turco" e pede mais liberdade para trabalhar. A Folha informa que o material foi analisado e que não há indício de que o conteúdo tenha sido adulterado.

Após a matéria ir ao ar, Sérgio Moro usou as redes sociais para se defender. "O juiz tem não só o poder, mas o dever legal de não homologar ou de exigir mudanças em acordos de colaboração excessivamente generosos com criminosos. Não foi, aliás, essa a crítica a acordos como os dos sócios da JBS (que não passaram por mim)?", escreveu na conta pessoal no Twitter.
O que aconteceu? 
A reportagem da Folha diz que os acordos de delação foram assinados dois dias depois dos diálogos. Neles, ficou acertado que os dois executivos da Camargo Corrêa, Dalton Avancini e Eduardo Leite, que estavam presos em Curitiba em caráter preventivo havia quatro meses, sairiam da cadeia com tornozeleiras e ficariam mais um ano trancados em casa.

Os delatores deram informações sobre o cartel organizado pelas empreiteiras para fraudar licitações da Petrobras, admitiram o pagamento de propina a políticos e dirigentes da estatal e revelaram desvios na construção da usina nuclear Angra 3 e em outras obras do setor elétrico.
O que diz a lei?
A reportagem lembra que a lei que definiu regras para os acordos de colaboração premiada diz que juízes devem se manter distantes das negociações e têm como obrigação apenas a verificação da legalidade dos acordos após sua assinatura.

O objetivo é garantir que os magistrados tenham a imparcialidade necessária para avaliar as informações fornecidas pelos colaboradores e os benefícios oferecidos em troca no fim do processo judicial, quando cabe aos juízes aplicar as penas negociadas se julgarem os resultados da cooperação efetivos.  


quarta-feira, 17 de julho de 2019

Sociedade deve se unir em defesa da democracia

ABI sai em defesa de Greenwald, Miriam Leitão e Sérgio Abranches. A ABI não podia ter ressurgido em melhor hora. O espectro de Prudente de Moraes, neto, e de Barbosa Lima Sobrinho nos coloca de pé novamente.

Leia a íntegra da nota:

Unidade contra ameaças e intimidações

Neste momento, em que crescem as ameaças e intimidações aos jornalistas e outros brasileiros, tendo como principais exemplos as sofridas por Glenn Greenwald, Míriam Leitão e Sérgio Abranches, acompanhadas de demissões e afastamento de profissionais, promovidas por veículos de comunicação, como a que ocorreu com Paulo Henrique Amorim, a ABI conclama os jornalistas, os democratas e as entidades da sociedade civil a se unirem para garantirmos o Estado Democrático de Direito.

A radicalização de grupos político-ideológicos, que se caracterizam, basicamente, pelo desprezo ao conhecimento e pela rejeição à diversidade, representa um retrocesso civilizatório inaceitável para a democracia brasileira.

É cada dia mais preocupante o crescimento da ousadia destes grupos, na maior parte das vezes, escondidos pelo anonimato das redes sociais. Agora, no entanto, decidiram sair das ofensas para a intimidação direta, com ameaças e ações públicas, como em Paraty.

Para a “Casa do Jornalista”, a utilização da Constituição Federal e dos demais instrumentos legais deve ser a forma de enfrentamento a estes atentados à liberdade de reunião e de expressão.

A ABI, juntamente com as demais entidades democráticas da sociedade civil, exige que o Estado brasileiro aja em defesa dos princípios fundamentais da nossa democracia, investigando e aplicando a lei contra os que ameaçam e intimidam participantes de reuniões pacíficas.

Paulo Jeronimo de Sousa
Presidente

Do Nocaute