segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Xadrez do tribunal para a Lava Jato, por Luis Nassif


Por Luis Nassif

Peça 1 - o xadrez e as análises estratégicas

Adotei o nome Xadrez na série sobre o golpe por duas razões:

1. Analisar realidades complexas.

Eventos dessa abrangência, que mexem com a vida e o futuro do país,  têm  inúmeros fatores de influência se entrelaçando, a crise econômica global, a política econômica interna, a geopolítica internacional, os interesses corporativos internos.

O desafio consiste em identificar as grandes linhas de mudança globais, a maneira como se interrelacionam no Brasil, os personagens locais protagonistas desse jogo e a resultante final.

2. Estimar efeitos sobre o futuro.

Trata-se de um exercício complexo, que depende em parte de informação, e muito de intuição, de tentar identificar os desdobramentos de fatos atuais, de processos políticos, sociais e econômicos, as linhas que prevalecerão.

Os estrategistas se valem dessa metodologia para prevenir desastres, acertar rumos, minimizar custos e riscos, desenhar o futuro.

O desafio aqui é de fundo jornalístico, mais modesto. Não se pretende ter as respostas definitivas, mas criar uma moldura, uma forma organizada  para que a discussão possa fluir de maneira mais ordenada, aprimorando, confirmando ou retificando cada peça e mesmo as correlações entre elas, com a inestimável contribuição de vocês.

Peça 2 - os funcionários e as autoridades públicas

Autoridade é todo aquele que exerce parcela de poder. Isso envolve uma responsabilidade adicional. Por isso mesmo não pode se ater exclusivamente aos fatos do momento, mas aos desdobramentos presentes e futuros.

O exercício de previsão dos atos presentes, os desdobramentos futuros, são parte inerente da responsabilidade e de obrigação dos que exercem poder de Estado.

É a diferença do mero servidor público, que age de acordo com o princípio da legalidade, e à visão estática dos fatos.
Transportando as definições para a Lava Jato, a Procuradoria Geral da República é a autoridade. Não é um dos poderes originais do Estado - Executivo, Legislativo e Judiciário -, mas detém parcela de poder, como a Polícia, pela margem de discricionariedade na aplicação da lei. A discricionariedade existe para que se tenha o poder de decisão para aplicar melhor o que diz a lei. Se fosse um exercício mecânico, bastaria um manual e um computador.

Já os membros da força-tarefa são funcionários públicos e, como tal, limitam-se ao cumprimento burocrático da lei. Mas, por ter atribuições específicas de poder, também incorrem em um grau de responsabilidade.

Peça 3 – a responsabilidade da Lava Jato

Voltemos ao tema do último Xadrez, o "Xadrez do Assassinato Político e o MPF" (https://goo.gl/2Z5KOG).

Lá se mostra que a Lava Jato e o Procurador Geral da República Rodrigo Janot exerceram um papel antinacional, de pacto com autoridades norte-americanas visando ações contra uma estatal brasileira.

Não apenas isso.

O enorme estrago promovido na cadeia do petróleo e gás, a destruição das empreiteiras, o desmonte da indústria de defesa, a tentativa de criminalizar as ações comerciais e diplomáticas na África, tudo isso configura claramente uma ação antinacional, embrulhada no pacote da anticorrupção. Era perfeitamente possível apurar os crimes, punir os corruptores e corruptos preservando as empresas. Mas optou-se por um trabalho meticuloso de destruição.

Por ora, a enorme barreira ideológica de pós-verdade imposta pela mídia tratou essa destruição como inevitável.

Mas a história não acaba em 2016. Em um ponto qualquer do futuro, quando recomeçar o processo de reconstrução do país, haverá o balanço inevitável desses anos de destruição. E não haverá como não se apurar as responsabilidades.

De um lado, da parte dos que se darão conta dos enormes prejuízos para o desenvolvimento nacional; de outra, dos que estão atrás de revanche, políticos corruptos ou não, empresários presos, inocentes desmoralizados.

Se, ao contrário dos tempos atuais, a força tarefa tiver a sorte de ser julgada dentro das normas do estado de direito, serão condenados com atenuantes. Como funcionários públicos, cumpriram apenas o que dizia a lei. E se avançaram nos limites de lei, e os avanços foram endossados por tribunais superiores, estarão a salvo de punições maiores.

São figuras menores que cresceram porque as instituições se tornaram menores. No máximo serão personagens de crônicas de costumes sobre o deslumbramento de mentes provincianas, quando o destino coloca em suas mãos o martelo de Thor.

Peça 4 – a responsabilidade de Rodrigo Janot

Mas não haverá como eximir de responsabilidade o PGR Rodrigo Janot.

Ele é a autoridade, a quem compete o discernimento  para impedir os enormes malefícios que a operação trouxe para o presente e o futuro do país, impor o freio na ação da força tarefa, a definição de estratégias que assegurassem a punição dos culpados sem a destruição da economia.

Daqui a alguns anos, quando o país estiver se esfalfando para recuperar o tempo perdido, tentando desenvolver setores competitivos para a luta da globalização, deparando-se com a regressão dos indicadores sociais, de avanços tecnológicos, de modernização do trabalho, ficará mais nítida a percepção de desperdício, da destruição inútil ocorrida nesses tempos de dissipação. E não haverá como levantar mais o álibi da inevitabilidade dos danos colaterais.

Juízes técnicos, isentos, como não são os de agora, constatarão facilmente os inúmeros caminhos que havia para se coibir a corrupção e punir os corruptos sem destruir a economia.

Disporão dos sucessivos alertas do que estaria ocorrendo. Haverá condições de se ter acesso aos documentos e trocas de mensagens da cooperação internacional e dos acordos montados individualmente pela Lava Jato.

Certamente Janot alegará, em sua defesa, que as pressões foram enormes, que não houve como enfrentá-las. E a acusação constatará que ele falhou com seus deveres funcionais, com sua responsabilidade em relação ao país.

Serão levadas à sua responsabilidade os milhões de brasileiros que perderão oportunidade de sair da miséria pela destruição da economia brasileira, os atrasos na infraestrutura, a perda de qualidade dos empregos.

Durante algum tempo Janot dirigiu a Escola Superior do Ministério Público da União. Nela, organizou diversos seminários sobre problemas nacionais, onde foram esmiuçados cada um dos fatores de desenvolvimento.

O trabalho meritório de antes será o agravante quando tiver de responder a um tribunal. Não poderá acenar sequer com o álibi da ignorância.


Que a maldição da nacionalidade abortada recaia sobre ele e parceiros, como o ex-Ministro José Eduardo Cardozo, que viram as tropas bárbaras avançando e, por cumplicidade, acomodamento ou medo, deixaram de cumprir com seu dever perante o Brasil e perante a história.

Intimação ou Intimidação! Sérgio Moro Intima o Petroleiro, que lança o livro “A Outra Face do juiz Sérgio Moro”.

O lançamento do livro “A Outra Face do juiz Sérgio Moro” será até o final do corrente ano

Por Emanuel Cancella*, na Tribuna de Imprensa Sindical

Sérgio Moro Intima o Petroleiro

A intimação do MPF de nº 09/2016 (PR-RJ - 00080581/16) datada de 09/11/16, chegou a minha residência por volta 16:00 h do dia 9/12. Liguei para o MP, no mesmo dia, por volta das 17:30 h, para saber quem seria o pseudo-ofendido das “ (...) Possíveis práticas de crime contra a honra de servidor público federal...” Falei com uma atendente, que passou para a outra, que por sua vez mandou que eu ligasse 20 minutos depois. Liguei e fiquei sabendo que o autor da intimação era o juiz Sérgio Moro.

Em primeiro lugar, quero dizer que não conheço o juiz pessoalmente, não tenho nenhum problema pessoal contra ele, entretanto tenho severas críticas à operação Lava Jato que ele comanda.

Quero salientar também que a Lava Jato tornou-se o maior acervo da vida politica brasileira contemporânea, porém, na minha concepção, e de muitos, Moro usa de forma seletiva essas informações.

Aliás, esses questionamentos da seletividade foram feitos não só no Brasil como nos EUA e agora na Alemanha. E tanto nos Estados Unidos como na Alemanha Moro responde de forma cínica. Nos EUA, segundo divulgação da imprensa: “O juiz Sergio Moro disse que não julgou casos relacionados ao PSDB porque investigações sobre o partido não chegaram a ele (1).” Na Alemanha: “Moro chama de “infeliz” foto em que aparece rindo com Aécio Neves, mas ressalta que senador não é investigado. (2)”

Entretanto todos sabem que governo tucano de FHC, na Petrobrás, já foi denunciado várias vezes e ainda, na certeza da impunidade, o próprio FHC reconhece no livro Diários da Presidência que havia corrupção na Petrobrás, em seu governo. Além disso, o filho de FHC já foi citado, em negócios espúrios, pelo ex-diretor da Petrobrás preso, Nestor Cerveró, como também pelo operador do PMDB, Fernando Baiano. Aécio Neves não é investigado na Lava Jato simplesmente porque o juiz Moro não quer, pois já foi delatado mais de 5 vezes.  Moro faz ouvido de mercador (3, 4).

Alguém tem que dizer ao juiz Moro que o mundo e a informação hoje são globalizadas. Com isso a Lava Jato não se restringe à “Republica de Curitiba” e o mundo está acompanhando o golpe que está acontecendo no Brasil.

Moro tem que explicar à sociedade a sua colaboração exacerbada com o governo dos EUA em relação à Petrobrás, já que, além de convocar os procuradores estadunidenses para investigar a Petrobrás, ainda autorizou os corruptos da Empresa a irem testemunhar contra o Brasil nos tribunais americanos(6). Logo os americanos que estão doidos para abocanhar o pré-sal! Assim fica fácil para eles!

Moro autoriza essa “ajudinha” os americanos, em detrimento do Brasil, mesmo sabendo que se trata de uma farsa a principal acusação nessas ações contra a Petrobrás. Os gringos espertamente alegam, e Moro fornece argumentos, que a corrupção seria a motivação da queda das ações da empresa.

Entretanto o mundo sabe que as ações, de todas as petroleiras do mundo, não só da Petrobrás, caíram por conta da desvalorização do barril do petróleo. Na verdade, a queda do valor do barril, e consequentemente das ações, foi artimanha dos EUA, em conluio com a Arábia Saudita, que juntos aumentaram a oferta do petróleo no mercado, derrubando o preço de US$ 140 para US$ 30. Tudo isso faz parte da política internacional americana para usurpar o petróleo alheio, prejudicando assim países produtores como a Rússia, Ira, Venezuela e Brasil.

E a blindagem aos tucanos segue agora na Petrobrás! A Lava Jato, que diz combater a corrupção na Petrobrás, se furta a barrar a gestão do tucano Pedro Parente na empresa. Parente está fazendo uma verdadeira liquidação com os ativos da Petrobrás, num verdadeiro bota-fora com o patrimônio conquistado com o suor do povo brasileiro. Inclusive a venda de ativos está sendo interrompida pelo TCU (5).

Parente está vendendo, sem licitação, o petróleo do pré-sal do campo de Carcará a preço de um refrigerante, quando o preço do barril no mercado internacional está acima de US$ 50.

Fico preocupado porque essa intimação chega no momento em que o meu livro,  A Outra Face do juiz Sérgio Moro, está na fase final de revisão para em seguida ir para a gráfica. O lançamento do livro será com até o final do ano. Aliás, quero agradecer, de público, à brilhante jornalista Fátima Lacerda que, sem ela, essa obra não seria concretizada, como também aos cartunistas Mega e Latuff. Esclareço que toda renda do livro, incluindo o trabalho gratuito da jornalista, será doada para os cerca de dois milhões de trabalhadores demitidos em função da Operação Lava Jato, sendo retirados apenas os custos da edição, financiado pelo autor.

Quero dizer que o livro expressa críticas à atuação do juiz Moro, mas também dá a ele a oportunidade de explicar situações da Lava Jato questionadas no Brasil e no mundo!

Fonte:
1-http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/08/nos-eua-sergio-moro-explica-por-que-nao-julga-politicos-do-psdb.html
2-http://www.viomundo.com.br/denuncias/moro-escrachado-na-alemanha-veja-as-fotos.html
3-http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/06/1777678-petrobras-orientou-negocio-com-firma-ligada-ao-filho-de-fhc-diz-cervero.shtml
4-http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/257469/Baiano-confirma-den%C3%BAncia-contra-filho-de-FHC.htm
5-http://g1.globo.com/economia/noticia/tcu-suspende-novas-vendas-de-ativos-da-petrobras.ghtml
6-http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/nacional/online/paulo-roberto-costa-delator-da-lava-jato-fecha-acordo-de-cooperacao-com-o-fbi-1.1655439


*Emanuel Cancella que é da coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)

domingo, 11 de dezembro de 2016

Golpista prepara novas medidas para penalizar mais a família brasileira

Na lista da Odebrecht  governo golpista não reúne mais condições de governar

Do correio Brasiliense

Após delação, Temer faz reunião de emergência com ministros de governo

A intenção é avaliar o conteúdo das delações, vazadas à Lava-Jato. O encontro já acontece, no Palácio do Jaburu, e Temer deve discutir medidas para a retomada da economia ainda este ano.

Por conta das delações de ex-executivos da Odebrecht, citando nomes da cúpula do governo Temer, o atual presidente da República convocou uma reunião de emergência com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha e outros ministros de governo. A intenção é avaliar o conteúdo das delações, vazadas à Lava-Jato. O encontro já acontece, no Palácio do Jaburu, e Temer deve discutir medidas para a retomada da economia ainda este ano, que têm exatos 20 dias para chegar ao fim.

Segundo o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), que esteve com Temer na tarde deste domingo (11/12), o presidente receberá a equipe econômica durante a noite para tratar de um pacote de medidas para recuperar o emprego, a ser lançado nesta semana. Agora, Temer recebe o secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimentos, Moreira Franco. Padilha se juntará à equipe no início do noite.

A reunião ocorre na mesma semana da divulgação de um dos termos do acordo de delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebretch,  Carlos Melo Filho, que cita Temer, Moreira e Padilha nos depoimentos de executivos da empreiteira à Lava-Jato.De acordo com Rosso, Temer está “sereno”. “A prioridade é a retomada da economia.  No Senado, a PEC dos gastos. E na Câmara, a reforma da previdência. O foco é o ajuste fiscal e o presidente disse que confia nas instituições e na independência dos poderes, principalmente do Judiciário”, disse o deputado.

O líder do PSD disse, ainda, que a reunião de urgência deste domingo tratará de um pacote de medidas, que deve ser lançado nesta semana. “São uma série de ações para geração de emprego e renda no curto prazo”, afirmou.

De acordo com Rosso, as medidas de estímulo já vinham sendo estudas há cerca de um mês e os últimos detalhes devem ser acertados em um encontro com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. No entanto, a assessora de imprensa do ministro disse que ele continuará em São Paulo, onde cumpre agenda nesta segunda (12/12). Meirelles almoça com os dirigentes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e participa da cerimônia de entrega de dois prêmios à noite.

Entenda o caso

Cláudio Melo Filho afirmou em delação que Temer pediu R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht em 2014. Oficialmente, o Planalto negou ontem à noite a informação e afirmou que não há mais comentários a serem feitos. A delação premiada que atingiu em cheio a cúpula do PMDB e do governo, inclusive o presidente Michel Temer — citado 43 vezes no depoimento —  impôs um movimento de cautela a integrantes do Palácio do Planalto.

Interlocutores do Executivo dizem que é preciso aguardar o desenrolar dos depoimentos, que ainda precisam ser comprovados, mas não negam a preocupação com possíveis impactos das delações. Segundo depoimento do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Carlos Melo Filho, a empreiteira destinou dinheiro de caixa 2 para campanhas eleitorais e ainda fez repasses para a aprovação de medidas de interesse da construtora no Congresso Nacional.

Está prevista para a próxima terça-feira, a última votação da PEC do Teto dos Gastos e da LDO. O governo não quer que a tramitação dessas medidas, e da reforma da Previdência, sejam prejudicadas com o teor das delações dos ex-executivos da Odebrecht.

Com informações da Agência Estado

O País tem direito à lista e à delação da Odebrecht, por Tereza

do Brasil247

por Tereza Cruvinel

Quando divulgou a conversa ilegalmente grampeada entre Lula e Dilma, o juiz Sergio Moro alegou  “interesse público” no assunto.  Acrescentou que os governados têm o direito de saber o que fazem (inclusive na intimidade) os governantes.  Os mesmos argumentos , e muitos outros, podem ser invocados pela sociedade  para exigir a divulgação da “lista da Odebrecht”, contendo mais de 300 nomes de políticos que receberam “capilés” da empreiteira, logo posta sob sigilo por Moro.  Por que nela há pessoas “com foro” ou porque ela não atende a seuis critérios de seletividade?  Da mesma forma, a sociedade tem direito de exigir do Ministério Público que aceite a proposta da construtora para uma “colaboração definitiva”, afastando a suspeita de que a recusa se relaciona com a amplitude do esquema de financiamento partidário-eleitoral que a Odebrecht planejava desnudar.

O desinteresse de Moro  e dos procuradores pelas revelações da construtora  transpareceu já na noite de terça-feira, conforme registrou este blog. O Jornal Nacional , ao noticiar a Operação Xepa, que fez buscas e apreensões em várias unidades da Odebrecht, destacou trechos da nota pública da empresa,  passando ligeiramente sobre o trecho em que afirma não ter a construtora “responsabilidade dominante” pelos fatos apurados e pela existência de “um sistema ilegítimo e ilegal de financiamento do sistema partidário-eleitoral”.  A seguir, William Bonner informa que “nossos repórteres” ouviram do  Ministério Público que tal acordo não havia sido assinado e que seria analisado segundo as prioridades da Operação Lava Jato.  O desinteresse do Ministério Público confirmou-se nesta quarta-feira logo que começaram a ser divulgados nomes da oposição que figuram na lista da Odebrecht, tais como Aécio Neves, José Serra, Rodrigo Maia e Eduardo Cunha, para ficar só em quatro importantes lanceiros do impeachment.  Moro colocou o material sob sigilo e os procuradores praticamente descartaram a delação da Odebrecht.

A sociedade  tem o direito de conhecer este “sistema ilegal e ilegítimo” de financiamento do conjunto de partidos que a representa.  Quando diz que não tem  “responsabilidade dominante”  por sua existência, a Odebrecht diz implicitamente que não o criou sozinha,  que  ele não nasceu agora, nos governos do PT, que ele envolve um conjunto de empresas e partidos, enfim, que este é o sistema político-eleitoral que temos, fomentador da corrupção.   A lista contém informações que remontam aos anos 1980.   Se o objetivo é passar o país a limpo, tal sistema precisa ser conhecido  para ser desmontado e substituído.  Moro, em seu já muito citado artigo sobre a Operação Mãos Limpas da Itália, refere-se  à necessidade de “deslegitimação” do sistema partidário que lá estava fortemente associado à corrupção. Já a Lava Jato parece querer deslegitimar apenas uma parte do sistema partidário,  composta pelo PT e partidos aliados.


A divulgação da lista iluminaria uma parte do porão. Mas a “colaboração definitiva”, expressão cunhada pela Odebrecht para indicar a disposição de seus dirigentes de falar tudo o que sabem, e certamente sobre todos, é fundamental para o completo desvelamento do esquema. Na colaboração eles não apenas citariam nomes mas apontariam mecanismos operacionais ainda não de todo conhecidos.   A parte ainda lúcida da sociedade, que não se deixou cegar pelo ódio, que mesmo não gostando do PT percebe a seletividade do processo, tem o direito de conhecer a lista e as revelações da Odebrecht. Depois do desgaste com as ilegalidades cometidas contra Lula, Dilma e outros políticos grampeados, a Lava Jato faria bem em afastar as evidências de que seu propósito não é uma faxina mas sim uma chacina política.

Intelectuais pelo Fora Temer



Do Jornal GGN

O coletivo Em Defesa dos Direitos Conquistados lançou o vídeo dos Intelectuais pelo Fora Temer. Do coletivo participam Paulo Sérgio Pinheiro, Marilena Chauí, Sérgio Cardoso, entre outros. O vídeo traz uma gama de análises de intelectuais brasileiros sobre a conjuntura atual e o vídeo ganha vida nova com a delação da Odebrecht e a pesquisa do Datafolha.


Participaram as seguintes pessoas: Amélia Cohn, Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer, André Singer, Clarice Cohn, Eleonora Menicucci, Erminia Maricato, Francisco de Oliveira, Gabriel Cohn, Gilberto Maringoni, Heloisa Buarque de Almeida, Jaime Oliva, Jean Tible, João Adolfo Hansen, João Vergílio Cuter, Kabengele Munanga, Kenarik Boujikian, Laura de Mello e Souza, Leon Kossovitch, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Márcia Tiburi, Maria Arminda do Nascimento Arruda, Maria Rita Kehl, Michael Löwy, Newton Bignotto, Olgária Matos, Pablo Ortellado, Paul Singer, Paulo Arantes, Paulo Sérgio Pinheiro, Pedro Serrano, Raquel Rolnik, Roberto Schwarz, Ruy Fausto, Sérgio Cardoso, Sérgio Rezende, Vladimir Pinheiro Safatle e Walnice Nogueira Galvão.

A vida é boa, meu bem!



Por Luciano Hortencio, no GGN

A vida é boa, meu bem, é boa.

Depende da gente querer.

Se você chora, meu bem, a toa

É porque não sabe viver.

Eu quero ver você sambar elétrica

De perna bamba, sem poder andar.

Eu quero ver você gritar elétrica

De voz roufenha, sem poder falar.

Avida é boa, meu bem, é boa.

Depende da gente querer.

Se você chora, meu bem, a toa

É porque não sabe viver.

Eu quero ver você sorrir demais

Mostrando a beleza  que tem a sua boca

Eu quero ver você sorrir demais

Achando que a alegria dessa vida é pouca.



*Carlos Galhardo - A VIDA É BOA - Assis Valente, Herivelto Martins, Francisco Sena.

Disco Victor 33.745-A.

Janeiro de 1934.

Disco constante do Arquivo Nirez.


Coisas que o tempo levou.

DATAFOLHA: 63% QUEREM RENÚNCIA E DIRETAS JÁ

Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo representa a pá de cal no governo Temer; o levantamento, feito antes da delação da Odebrecht, que aponta Michel Temer como chefe do esquema da Odebrecht na Câmara e beneficiário de propinas da empreiteira, revela que 63% dos brasileiros querem sua saída imediata e diretas já – número que deve crescer após as denúncias da construtora; a pesquisa também confirma o óbvio: para 65% dos brasileiros a economia piorou; ou seja: o golpe contra a presidente Dilma Rousseff e contra a democracia brasileira foi, além de uma fraude que envergonha o Brasil diante do mundo, o mais absoluto fracasso; se ainda tiver um mínimo de dignidade, Temer renunciará em 2016, permitindo a volta da democracia, que foi ferida por sua conspiração.

As pesquisas de opinião pública, que andavam sumidas desde o golpe parlamentar de 2016, finalmente voltaram. 

Do Brasil 247

E o Datafolha divulgado neste domingo representa a pá de cal no governo Temer.

O levantamento, feito antes da delação da Odebrecht, que aponta Michel Temer como chefe do esquema da Odebrecht na Câmara e beneficiário de propinas da empreiteira (saiba mais aqui), revela que 63% dos brasileiros querem sua saída imediata e diretas já – 27% são contra.

O número dos que defendem o Fora Temer deve crescer ainda mais após as revelações da construtora, que foram devastadoras para Temer e o chamado PMDBrecht.

A pesquisa também confirma o óbvio: para 65% dos brasileiros a economia piorou e apenas 9% enxergaram alguma melhora.

Além disso, só 10% consideram Temer ótimo ou bom, menos do que os 13% que tinham essa avaliação em relação à presidente Dilma Rousseff antes do impeachment. A diferença é que Temer foi blindado pela mídia, interessada no golpe, enquanto Dilma foi massacrada 24 horas por dia.

Ou seja: o golpe contra a presidente Dilma Rousseff e contra a democracia brasileira foi, além de uma fraude que envergonha o Brasil diante do mundo, o mais absoluto fracasso.

Se ainda tiver um mínimo de dignidade, Temer renunciará em 2016, permitindo a volta da democracia, que foi ferida por sua conspiração.

Até porque, se não renunciar, ele será cassado ou pelo Tribunal Superior Eleitoral ou por um processo de impeachment.

A diferença é que, se cair em 2016, o Brasil terá eleições diretas. Se cair em 2017, o Brasil terá um presidente eleito de forma indireta por um Congresso onde mais de 200 parlamentares são investigados por corrupção.

Em artigo, Tereza Cruvinel avalia que, com a renúncia, Temer ainda pode dar um presente de Natal aos brasileiros, depois de todo o mal que causou (leia aqui).