quarta-feira, 15 de novembro de 2017

MPT-SC recomenda a sindicatos não reduzir direitos em negociações

O portal da Justiça e do Direito em Santa Catarina.

A Procuradora Luisa Carvalho Rodrigues, do Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC), expedirá nesta terça-feira uma Recomendação aos sindicatos profissionais dos municípios de Joaçaba e Herval D’Oeste para que evitem negociação de cláusulas menos benéficas aos empregados em função das novas regras estabelecidas pela Reforma Trabalhista, que entrou em vigor no sábado, dia 11. De acordo com a assessoria do MPT-SC, o documento será entregue aos representantes de cada entidade na sede da OAB da cidade de Joaçaba.

“A finalidade da Recomendação é garantir efetivo respeito às regras constitucionais e convencionais que regulamentam as condições de trabalho, concretizando a dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho, estabelecidos no art. 1º, incisos III e IV da Constituição da República de 1988”, divulgou o MPT-SC em nota à imprensa.

“Em conformidade com o art. 7º, caput, da Constituição, as convenções e acordos coletivos do trabalho a serem pactuados pelas entidades sindicais têm função eminentemente protetora para melhorar a condição social dos trabalhadores. Assim, a Recomendação não pretende orientar pela não observância da Lei nº 13.467 (Reforma Trabalhista), mas sim que haja a interpretação sistemática da nova legislação, que deve guardar consonância com as normas constitucionais e convencionais. Dessa forma, o MPT recomendará aos sindicatos que evitem negociações coletivas prevejam cláusulas precarizantes e prejudiciais aos empregados, a fim de resguardar o patamar mínimo civilizatório”, prossegue o comunicado.

A Recomendação destacada que a prevalência do negociado sobre o legislado já vigorava no Brasil, porém com a ressalva de que as normas coletivas poderiam se sobrepor às leis desde que fossem em benefício dos trabalhadores. Portanto, a partir de agora, é necessária cautela ao aplicar e interpretar a nova lei, em especial no que diz respeito à saúde e segurança do trabalhador. Um exemplo disso é a possibilidade, de acordo com a Lei nº 13.467, de que as convenções e os acordos coletivos de trabalho definam o grau de insalubridade do ambiente de trabalho em patamar inferior ao previsto nas Normas Regulamentadoras, o que viola o direito ao meio ambiente de trabalho seguro e saudável.

Outro exemplo, segundo o MPT, é que nova lei possibilita a redução do intervalo destinado ao repouso e à alimentação no curso da jornada de trabalho (intrajornada) de uma hora para 30 minutos, sem qualquer exigência ou contrapartida para tanto, nem mesmo a necessidade de existir um refeitório.

“Dado que o ordenamento brasileiro já prevê, incontroversamente, a prevalência do negociado sobre a lei sempre que a negociação significar a criação de novo benefício ou a ampliação de benefício já previsto em lei, conclui-se que o único propósito da Lei nº 13.467/2017 é permitir a exclusão de direitos trabalhistas pela via negocial. De fato, há de se concluir que a exclusiva razão de ser da proposta é garantir que se possa reduzir direitos dos trabalhadores através de acordos e convenções.”, ressaltou o MPT em Nota Técnica divulgada em janeiro deste ano, antes da aprovação das mudanças.

“Logo, para o MPT, a Reforma Trabalhista contém diversos dispositivos que contrariam a Constituição Federal e que são incompatíveis com as Convenções Internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Desta forma, a expedição de recomendação aos sindicatos de categorias profissionais poderá prevenir irregularidades, até porque a inobservância da Recomendação pode ensejar a adoção de medidas judiciais para garantir o seu cumprimento”, informa a assessoria do MPT-SC.

Relação de entidades que receberão a Recomendação amanhã:
– Sindicato dos Empregados no Comércio de Joaçaba;
– Sindicato dos trabalhadores rurais de Joaçaba e Luzerna;
– Sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras Rurais de Herval D’Oeste;
-Sindicato dos trabalhadores nas indústrias da Construção e Mobiliário de Joaçaba;
– Sindicato dos trabalhadores do Serviço Público Municipal de Joaçaba;
– Sindicato dos Trabalhadores na Industria Metalúrgica mecânica e material elétrico de Joaçaba;
– Sindicato dos Empregados em estabelecimentos bancários de Joaçaba e região;
– Sindicato dos Trabalhadores em Vigilância, asseio e conservação de Joaçaba;
– Sindicato dos Trabalhadores na Saúde de Joaçaba;
– Sindicato dos Trabalhadores nas indústrias de Energia Elétrica de Lages e Joaçaba;
– Sindicato dos trabalhadores em Educação–SINTE Joaçaba;
– Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de carnes e derivados e indústria da Alimentação e afins de Joaçaba;
– Sindicato dos trabalhadores no serviço público do município de Herval d’Oeste;
– SINVET – Sindicato dos médicos Veterinários;
– Sindicato dos Trabalhadores nas empresas de Transportes Rodoviários e de cargas de Joaçaba.

As informações são da Assessoria de Comunicação do MPT-SC

O modelo consumista da sociedade ocidental e o manifesto dos 15 mil


por Carlos Coimbra no GGN

Nesta minha primeira e honrosa participação no GGN, que tem por finalidade discutir nuances do triângulo (não tão amoroso) de ciência, política e cultura, levantarei a lebre, repetitiva mas necessária, do debate científico mundial sobre mudanças climáticas e sobre a degradação ambiental.

Vamos às ocorrências.
Na última segunda feira, 13 de novembro, um manifesto científico foi publicado pela assombrosa cifra de 15 mil biólogos, físicos, astrônomos, químicos, climatologistas e outros cientistas ligados ao meio ambiente de mais de 184 países.
Manifestos são concretamente ações políticas, declarações públicas de princípios e intenções, instrumentos claros da denúncia pública.
A ação é uma extensão e atualização (mais dramática) de um texto assinado em 1992, no Rio de Janeiro (na Eco-92) por 1.700 cientistas. O líder da ação é o físico, ganhador do prêmio Nobel, Henry Kendall.
No caso do manifesto em questão, o seu foco recai na crise atual relacionada ao modelo ocidental de consumo e em suas consequências ambientais. O título do manifesto: “Os ecossistemas e sua subsequente capacidade de sustentar o tecido da vida”.
Uma das principais recomendações dos autores do apelo se refere à redução do consumo material pela sociedade como um todo. O manifesto descreve que a forma como o modelo ocidental de consumo se alastrou no mundo a partir dos anos 1950 é mais grave do que o próprio crescimento demográfico da humanidade.
O inusitado é que desde o início de 2017 a comunidade científica está atônita: os Estados Unidos, principal motor mundial da degradação do meio ambiente, mormente em relação à questão climática, estão dominados por uma administração completamente climatocética. Basta ver as primeiras ações de Donald Trump em relação às políticas ambientais. O mega-empresário-presidente retirou os EUA dos principais acordos climáticos assinados até o ano passado. Nesse sentido, apenas dois países no mundo não têm assinatura protocolada no Acordo de Paris: EUA e Síria.
Já a China, ao contrário dos EUA, se engajou de corpo e alma, pelo menos até o momento, em um sólido programa de desenvolvimento de energias renováveis. A motivação para isso vem não só da questão climática, mas também porque a população chinesa convive diariamente com a agressiva poluição provinda da queima maciça de combustíveis fósseis proporcionada pelo rápido desenvolvimento industrial daquele país. Atualmente, como resultado dessas políticas de energia limpa, China desde 2014 é liderança global na produção de energia solar e eólica.
Voltando ao manifesto dos 15 mil, ele pode ser resumido de forma prática a partir de seus oito objetivos principais:
·         Estabelecer reservas naturais protegidas e interligadas para conservar habitats naturais;
·         Conter as ações de conversão de florestas, pradarias, serrados e espaços selvagens em superfícies agrícolas ou em áreas urbanas;
·         Reflorestar o quanto possível regiões devastadas com espécies nativas para o restabelecimento dos processos ecológicos;
·         Reduzir o desperdício de alimentos por meio da educação e melhorias em infraestrutura;
·         Promover uma reorientação do regime alimentar na direção de dietas ricas em vegetais;
·         Retirar investimentos dos setores altamente poluentes e estufas como o caso das energias fósseis;
·         Lutar contra a perda da fauna, a caça predatória e o tráfico de espécies protegidas;
·         Redução da taxa de crescimento por meio de ações mais efetivas de educação sexual.
Por fim, não menos importante, a provável semente para o manifesto acima descrito é o estudo encomendado pelo famoso Clube de Roma em 1972. A encomenda foi feita ao Massachussets Institute of Technology (MIT) e o estudo foi liderado pelo cientista social Dennis Meadows. O produto desse estudo é o famoso texto The Limits to Growth, um relatório sobre as consequências ambientais do contínuo crescimento econômico nos moldes dos anos 1960 e 1970The Limits to Growth foi provavelmente o primeiro documento científico a alertar sobre a natureza insustentável do modelo de crescimento ocidental. Após as fortes críticas tecidas pelas diversas escolas de economistas da época, o documento foi rotulado como material irrelevante e relegado ao esquecimento.

Talvez os grandes estudos e pesquisas realizados por cientistas de todo mundo em várias áreas acabaram por ressuscitar o tema que está muito longe de ser uma teoria da conspiração, como quer a administração Trump. Os milhares de artigos de climatologistas, físicos, químicos, filósofos, biólogos, economistas, cientistas sociais, podem ser obtidos em várias bases de conhecimento científico, como o NASA/ADS (arquivo de dados da NASA com Harvard), arxiv.org (Cornell), IPCC (ONU) e tantos outros.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Assessor do vice prefeito de Imbituba nas eleições de 2016 detona a cúpula do PMDB catarinense

 “AVISO: Podem todos sair de casa tranquilos, a cúpula do PMDB no estado já foi embora”. Paulo Barcelos

Postagem no facebook do Jornalista Paulo Barcelos, “assessor” do vice - Prefeito de Imbituba Luiz Gonzaga Carvalho, o Zaga da Inkor (PMDB) na campanha eleitoral de 2016 causa reboliço na cúpula Pemedebista de Imbituba e do Estado.

Barcelos, natural do estado vizinho de Rio grande do Sul, alerta a população, “AVISO: Podem todos sair de casa tranquilos, a cúpula do PMDB no estado já foi embora”, referindo-se a passagem por Imbituba do Vice – Governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), do candidato do PMDB ao governo Mauro Mariani Deputados Federais:  Edinho Bez, Ronaldo Benedett, Deputado Estadual Manoel Mota, o Presidente municipal do PMDB Osny Souza e outras lideranças.

A declaração do Jornalista e funcionário da Prefeitura petista foi rapidamente rebatida pela ex senadora Selma Westphal:
"Perdeu uma grande oportunidade de ser no mínimo educado".

Mas Paulo Barcelos não se intimidou e continuou com a metralhadora giratória: "perdi foi um monte de direitos, roubados pelo usurpador Temer e apoiado por essa galera".

A situação causada por Barcelo é uma amostra da briga interna no Governo Rosenvaldo Junior entre PT e PMDB e se conhecemos a ex senadora Selma as coisa não ficarão por aí.

O Jornalista Paulo Barcelos é conhecido também por ser parte importante do processo em que o MPF pede a cassação da chapa Rosenvaldo e Zaga na eleição de 2016.

Conheça o parecer do MPF

Procurador Eleitoral (MPF) Marcelo da Mota admite Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) para apurar uso indevido dos meios de comunicação social entrelaçado com abuso de poder econômico DA CHAPA Rodenvalso Juniro (PT) e Zaga da Inkopr (PMDB).

Segundo o Procurador houve exposição excessiva na mídia dos candidatos Rosenvaldo Junior e Zaga da Inkor em detrimento dos demais e o emprego desproporcional de recursos patrimoniais (públicos ou privados), ambos de forma a comprometer a legitimidade do pleito e a paridade de armas entre postulantes a cargo eletivo.

Para o Procurador os depoimentos e as provas colhidas demonstraram “uso indevido o fato de jornal impresso (Tribuna Imbitubense)  divulgar, de forma maciça (em quantitativo que alcança quase 20% do eleitorado) e mediante edições veiculadas faltando menos de um mês para o pleito, publicidade amplamente benéfica” a candidatura de Rosenvaldo Junior e Zaga e “desfavorável a seus adversários”.

Marcelo da Mota demonstrou que o Jornal Tribuna Imbitubense editada pelo jornalista Paulo Barcelos usou técnicas elementares de jornalismo por meio de:

a) contraste adjetivado entre atos de governo, elogioso ao extremo aos candidatos Rosenvaldo Junior e Zaga e negativo aos demais,imputando-lhes sempre a pecha de administradores relapsos;

Segundo o promotor ha "abuso de poder também presente, já que o proprietário do jornal Tribuna Imbitubense foi nomeado posteriormente para exercício de cargo de primeiro escalão da Prefeitura de Imbituba “e, ademais, usou-se espaço publicitário dos jornais - recurso estimável em dinheiro - para fins eleitorais”.

 Diante do exposto o Procurador Marcelo da Mota  dá provimento do apelo para que sejam cassados os diplomas do Prefeito Rosenvaldo Junior e do vice Zaga da Inkor.

Veja na íntegra decisão do Procurador eleitoral


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Quem tem medo de vagina?

A vulva clara e rosada, sem pêlos, com pequenos lábios, além de remeter à infantilização e ter um caráter racista, é imposta como um padrão estético

“Porque estamos escondendo essa parte do corpo? Qual é o medo em falar sobre ela?”, questiona a psicóloga Letícia Bahia

Por Caroline Oliveira - Carta Capital

Buceta, pombinha, pepeca, xoxota, as partes, Países Baixos, periquita, xana, perseguida, vulva. Independente do apelido usado, falar e retratar a vulva é um tabu.

Ela se desloca sem parada final entre as conotações sexuais e os estereótipos da depilação e pele clara, reforçados pela indústria de filmes pornográficos. Ela faz parte de mais da metade da população brasileira e está nas mesas de cirurgia para procedimentos cirúrgicos como a ninfoplastia.

No entanto, as bonecas vendidas são desprovidas de vulva. Uma boneca comercializada sem um braço ou uma perna é uma boneca que representa mulheres com alguma deficiência física. Mas bonecas sem vagina não são deficientes, é o padrão.

Pouquíssimas são as mulheres que sozinhas se aventuram na masturbação e descortinam seus prazeres sexuais. Também são recentes os poucos estudos sobre a genitália feminina. Uma campanha recente de conscientização de câncer genital, da The Eve Appeal, mostrou que, de mil mulheres entre 26 e 35 anos, metade não soube localizar a vagina - a parte interna da vulva, o canal vaginal.  

No século XVIII, estava difundida a ideia, pelo médico Galeno de Pérgamo, que a vagina era um pênis invertido. Somente em 2009, um estudo publicado pelo The Journal of Sexual Medicine, mostrou que o clitóris é equivalente ao pênis, mas com 4 mil terminações nervosas a mais.

Letícia Bahia, psicóloga e diretora institucional da Revista AzMina, explica que a vagina ainda é pensada como um complemento ao pênis. Nesse sentido, “existem pouquíssimos estudos sobre a relação entre duas vulvas, por exemplo, uma relação afetiva sexual que acontece entre duas mulheres, como se dá a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Isso porque é a partir do pênis que se pensa a sexualidade”.

“Porque estamos escondendo essa parte do corpo? Qual é o medo em falar sobre vagina?”, questiona Bahia.

Procedimentos cirúrgicos
Segundo Halana Faria, ginecologista do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, existe uma demanda relacionada à imagem de uma vulva

Segundo Halana Faria, ginecologista do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, existe uma demanda relacionada à imagem de uma vulva
Apesar de não se falar abertamente sobre a vagina, os estereótipos que a cercam estão espalhados, por exemplo, nos filmes da indústria pornográfica, que movimenta anualmente mais de R$ 100 bilhões, segundo a organização Treasures.

A vulva clara e rosada, sem pêlos, com pequenos lábios, além de remeter à infantilização e ter um caráter racista, é imposta como um padrão estético.
Em 2016, o Brasil liderou o ranking mundial de procedimentos estéticos no corpo, segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética). No total, foram mais de 500 mil cirurgias, cerca de 16% dos procedimentos do mundo todo. Em segundo lugar está os Estados Unidos e em terceiro, o México.

Um dos benefícios colocados como procedente da ninfoplastia ou labioplastia, a redução de pele dos lábios vaginais, é devolver à mulher sua sexualidade.
Porém, Bahia explica que a sexualidade não é algo que se possa devolver tanto à mulher quanto ao homem, pois é intrínseco ao indivíduo.

“A sexualidade é a dimensão humana sobre a função reprodutiva.Tudo o que se sobrepõe de cultura acima dela é a sexualidade”, afirma. E contínua, “não é algo que se pode devolver ou retirar de alguém. A pergunta é como cada um vive a sexualidade e como podemos buscar maneiras de viver as sexualidades de uma forma mais saudável”.

A questão que Bahia traz é a necessidade de procurar entender o porquê de tantas mulheres brasileiras procurarem procedimentos cirúrgicos para modificar suas vulvas. “E aí estamos falando novamente da necessidade de conversar sobre tudo isso”, conclui.

O tabu da vagina não é um atributo de um gênero específico. “O tabu é nosso”, diz Bahia. Diferentes são os efeitos para cada um. No entanto, na ponta desse sistema, está o homem que questiona do tamanho da vulva da esposa.
“Acho um equívoco a gente transformar isso num questão de homens que não conseguem lidar com a questão da vagina. Isso é nosso, de todos nós. Todos nós estamos produzindo, lidando com isso”.

Quando a ninfoplastia é necessária?
Segundo Halana Faria, ginecologista do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, existe uma demanda relacionada à imagem de uma vulva. “As mulheres muitas vezes não têm a percepção sobre a diversidade possível de forma e tamanho das vulvas. Então, mesmo sem problemas relacionados a lábios mais volumosos, começa a se questionar  sobre a ‘normalidade da sua vulva’.
Faria, no entanto, lembra que a reconstrução genital nos casos de transgenitalização pode ser um caminho para as mulheres trans construírem sua identidade de gênero. Nesse sentido, “é preciso entender a diferença entre a medicalização excessiva do corpo das mulheres cis e o acesso a construção de um corpo possível às mulheres trans”.

Ainda assim, a psicóloga Letícia Bahia afirma que a sexualidade e as modificações genitais estão no campo da dimensão afetiva, o que torna complicado colocar esse aspecto somente sob a responsabilidade de “alguém que, em termos acadêmicos, não tem preparo para trabalhar nessa esfera”.
“Um cirurgião plástico tem treinamento para resolver um problema estético, mas não para resolver uma questão de cunho afetivo, que é uma questão de autoestima”, conclui Bahia.

Grafeno: promessa de revolução tecnológica

Uma das aplicações previstas do grafeno é em celulares, podendo torná-los flexíveis e mais leves. Foto: Canaltech

No GGN - do Clube de Engenharia


Duzentas vezes mais resistentes que o aço, fino, transparente, flexível, impermeável e barato. Melhor condutor de eletricidade, tem aplicações possíveis nos mais diferentes setores da economia, da indústria automotiva à biomedicina. Esse é o grafeno, um composto derivado do grafite que tem sido apontado por pesquisadores como uma das principais promessas de revolução tecnológica no futuro próximo.

Apesar de estudado desde 1947, o material só ganhou relevância em 2004, quando cientistas russos comprovaram seu potencial como transistor, alternativa ao silício usado em semicondutores de equipamentos eletrônicos. Konstantin Novoselov e Andre Geim continuaram trabalhando no grafeno e comprovaram que sua propriedade como condutor se mantinha mesmo quando trabalhado para ser muito fino, da espessura de um átomo. Pela descoberta os dois receberam o Prêmio Nobel de Física em 2010 e, de lá para cá, as pesquisas no mundo inteiro só aumentaram.

Brasil em destaque
O Brasil é o país com a maior reserva natural de grafite do planeta. Com os investimentos necessários em pesquisa e indústria, é capaz, portanto, de liderar esse processo de grandes inovações. Está no Brasil o primeiro laboratório de pesquisa na América Latina dedicado inteiramente ao material. Trata-se do MackGraphe, o Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Inaugurado em 2016, o laboratório foi construído em parceria envolvendo a universidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com investimento de 100 milhões de dólares, dedica-se a pesquisar aplicações para o grafeno, além de desenvolver formas de fábrica-lo em escala industrial. A equipe do laboratório é formada por engenheiros, físicos e químicos.

Até agora, sabe-se que o grafeno pode ter utilidade no setor automotivo, aeroespacial, biomédico, eletrônico e de telecomunicações. Sua aplicação mais comentada é na indústria de dispositivos móveis, como tablets e smartphones. Isso porque, no futuro, esses equipamentos poderão ser completamente flexíveis, da espessura de uma folha de papel e contar com baterias muito mais duráveis. A Internet também promete ser beneficiada: pesquisadores das universidades britânicas de Bath e Exeter conseguiram aumentar em 100 vezes a velocidade de transmissão de dados usando interruptores ópticos feitos com grafeno. Outra aplicação promissora é a que pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, publicaram em abril deste ano: uma peneira, feita com membranas de grafeno, é capaz de transformar a água do mar em potável.

Produção em escala comercial
As promessas do grafeno, no entanto, ainda dependem de mais pesquisas para serem concretizadas. A dificuldade hoje está na fabricação do material, já que ainda não é possível sintetizá-lo em larga escala. Caminhando nesta direção, o estado de Minas Gerais trabalha para ter até 2020 a primeira planta do Brasil para produção em escala comercial. O investimento será de R$ 21,3 milhões para desenvolver a tecnologia e implantar a produção em escala piloto. Os recursos são da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Enquanto cada grama de ouro custa R$ 143, o do grafeno é comercializada em torno de US$ 100 no mercado internacional, ou seja, R$ 346. Hoje, a tonelada métrica de grafeno custa US$ 1.000, cerca de 500 vezes mais do que a de grafite.

Para os pesquisadores mineiros, o ideal é que grafeno chegue a custar apenas dez vezes mais do que o grafite, já que vale mais a eficiência do que o retorno financeiro, com suas propriedades é capaz de isolar bem a umidade e o oxigênio, facilitando a conservação de alimentos, por exemplo, podendo ser usado em embalagens e revestimentos. Pode também ser usado em sensores que ajudarão a detectar doenças por meio do sangue ou saliva. Nenhum material conhecido no mundo oferece tamanha impermeabilidade e resistência. Os elétrons se movem com uma velocidade muito maior do que no silício, o que vai permitir uma eletrônica muito mais rápida. Reconhecida como referência em grafeno, Minas Gerais possui minas de grafite, e, com a instalação da planta no Estado visualiza em breve uma grande concentração de pesquisadores na área.

Com informações de Canaltech, BBC Brasil, Estadão, Band e O Tempo.

Câmara realiza Sessão Solene para homenagear Cruz e Sousa e reparar erro histórico

Em 1884,  o grande poeta e escritor Cruz e Sousa foi nomeado promotor de Laguna, porém foi recusado pelos políticos da cidade por ser negro

Na Semana da Consciência Negra, de 13 a 20 de novembro, a Câmara de Vereadores de Laguna realizará Sessão Solene para fazer uma retratação pública ao poeta catarinense Cruz e Sousa.

Em 1884, Cruz e Sousa foi nomeado promotor de Laguna, porém foi recusado pelos políticos da cidade por ser negro, e não toma posse.

Uma Moção de Retratação e Reconhecimento, de autoria do vereador Peterson Crippa da Silva, e um Projeto de Lei de denominação de via pública, foram aprovados, por unanimidade, pelo plenário do Poder Legislativo Lagunense.

A Sessão Solene dará publicidade há esses atos. Uma placa será entregue ao Museu Cruz e Sousa, que será recebida pelo professor Rodolfo Pinto da Luz, presidente da Fundação Catarinense de Cultura, curador do Museu.

As comemorações da Semana da Consciência Negra iniciam nesta segunda-feira (13), às 19h, no auditório da Udesc, em Laguna.

Conheça vida e obra de Cruz e Souza

domingo, 12 de novembro de 2017

Devemos combater as 'fake news'

Foto Digitalks

A Jornalista Angie Holan, vencedora do premio Pulitzer demonstrou que os Fake News (notícias falsas) foram subestimados nas eleições americanas que levaram Donald Trump e tudo que ele representa a Casa Branca.  

No caso Brasileiro devemos estar alertas, não subestimar as notícias falsas (fake News) espalhadas por grupos financiados por interesses antinacionais de grandes corporações que espalham o ódio, a intriga, a calúnia e a intolerância visando emplacar seu projeto para o Brasil.

O alerta foi dado e deve ser compreendido por todos que lutam por um Brasil soberano que inclua o povo no projeto de nação.

Traidores da nação não merecem perdão!

Leia abaixo, a entrevista da Jornalista Angie Holan, vencedora do premio Pulitzer.

Não achamos que 'fake news' seriam tão importantes, diz jornalista americana

Por Marco Aurélio Canônico (FolhaPress)

Menosprezar o impacto que as "fake news" -notícias falsas, geralmente criadas com objetivo político ou financeiro- poderiam ter nas eleições foi um erro que jornalistas, eleitores e políticos dos EUA cometeram na campanha presidencial de 2016.

A opinião é da jornalista americana Angie Holan, editora do site de checagem de fatos Politifact, e vem como alerta para que os brasileiros não repitam os equívocos que transformaram a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump num embate de muitas agressões e poucas ideias.
Repórter no time que ganhou o Prêmio Pulitzer de 2009 pela checagem de fatos nas eleições americanas do ano anterior, Holan diz que seu trabalho de atestar a veracidade das declarações de políticos tornou-se mais relevante sob o governo de um presidente com pouco apreço pela verdade.
Ela conversou no Rio, onde participa, neste domingo (12), do Festival 3i - Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, criado por oito organizações de jornalismo on-line e pelo Google News Lab. Em sua mesa ("Polarização e Eleições"), a americana vai discutir a importância de fazer bom jornalismo e checagem de fatos numa época de divisão política radical e de ânimos exaltados.

* Pergunta - O Brasil deve ter uma campanha eleitoral tumultuada em 2018. O que a última eleição americana pode nos ensinar?

Angie Holan - Para jornalistas, diria que devem tratar as "fake news" com seriedade. Deveríamos ter feito mais checagem de fatos em cima dessas notícias falsas durante a eleição, mas não achamos que fossem ser um fator tão importante quanto foram. Nos EUA, os candidatos não queriam discutir os grandes temas, mas se atacar: Hillary atacava a falta de preparo de Trump para o cargo, e Trump atacava Hillary e todos os demais por não fazerem um bom trabalho. Mas não eram acusações embasadas. O público também tem a responsabilidade de estar bem informado. E os políticos têm as obrigações de sempre: divulgar suas posições, participar de debates. Há uma ideia de que, se os jornalistas fizessem seu trabalho melhor, as campanhas seriam melhores, mas não sei se é verdade. Às vezes, os políticos só querem apelar às emoções das pessoas, e não temos poder de ditar o tipo de campanha que eles devem fazer.

Como os leitores podem se blindar das notícias falsas?

Angie Holan -  devem estar sempre desconfiados quando usam redes sociais, especialmente o Facebook. Se virem uma manchete surpreendente, do tipo "meu Deus, não acredito nisso", devem checar, mesmo que tenha vindo de amigos ou da família. Se virem algo muito emocional ou virulento, ou que diz as piores coisas sobre um dos candidatos, têm a responsabilidade de checar, de ir mais fundo. Nas redes sociais, os títulos são os mais enganadores.
Então sugiro ao público que seja muito cauteloso com os títulos e textos curtos que vê nas redes sociais. Leia mais reportagens aprofundadas.

O próprio termo "fake news" tem sido usado de forma deturpada, não?

Angie Holan - Sim. Nós, checadores de fatos, definimos "fake news" como notícias inventadas que se passam por textos jornalísticos. Trump define como notícias de que ele não gosta. Ele frequentemente trata notícias de empresas jornalísticas de tradição, com procedimentos e práticas de reportagem, como "fake news". Como jornalistas, precisamos reagir a isso, dizer que aquilo não é notícia falsa, mas reportagem de verdade, ainda que alguém não goste. Se os políticos repetem mentiras seguidamente, precisamos corrigi-los repetidamente. Por exemplo, Trump vive repetindo que os EUA são o país com os impostos mais altos do mundo, e não somos.

Trump é um exemplo de político que usa as redes sociais para falar diretamente ao público, ignorando a imprensa. Isso enfraquece o jornalismo?

Angie Holan - Todos os políticos têm o direito de falar diretamente com os eleitores, passando as mensagens como quiserem. O problema é que, ao mesmo tempo em que Trump usa o Twitter, ele evita as entrevistas coletivas da imprensa, que é quando os questionamentos sobre a Presidência são feitos. E temos problemas com sua porta-voz [Sarah Sanders] que, quando questionada sobre as imprecisões de Trump, diz que ele está certo, mesmo com evidência em contrário.

A mídia americana o critica mais do que fez com outros presidentes? Há exageros?

Angie Holan - Para jornalistas profissionais, é muito importante que o princípio da verdade oriente suas reportagens. Trump diz coisas que são incorretas, repetidamente. Nunca saberemos se ele acha que o que diz é verdade, mas quando a imprensa busca reportar com precisão e ele diz coisas incorretas, isso cria muita tensão nessa relação. É por isso que ele tem uma relação tão antagônica com a imprensa. Dito isso, o presidente Barack Obama não amava a imprensa, tinha muitas reclamações e sua administração foi muito dura contra os "whistleblowers", gente que trabalhava no governo e vazava [informações] para a imprensa.

Como o governo Trump afetou a vida dos jornalistas que fazem checagem de fatos?

Angie Holan - Ele não mudou nosso trabalho, temos um método estabelecido para checagem: procuramos evidências, fontes originais, falamos com um amplo espectro de especialistas. A diferença é que o nível de imprecisão dele é maior do que o de outros políticos, então trabalhamos mais.

Qual a responsabilidade do Google e do Facebook na disseminação das "fake news"?

Angie Holan - O Facebook foi surpreendido em 2016 pelo poder de suas ferramentas e por como elas podiam ser usadas por atores estrangeiros ou extremistas políticos. Tem tomado alguns passos para corrigir isso, mas é cedo para saber se vai funcionar. Nós [PolitiFact] temos uma parceria com o Facebook para fazer checagem de "fake news", mas ainda é inicial. O Google também tem levado em conta sua responsabilidade em promover um ambiente midiático responsável, tem tentado destacar organizações com histórico de bom jornalismo. Isso é animador. Origem: Louisiana (EUA) Carreira Mestre em jornalismo pela Universidade Columbia, é editora do Politifact, principal site americano de checagem de fatos em declarações de políticos. Foi repórter no time que ganhou o Prêmio Pulitzer de 2009 pelo trabalho de checagem de fatos nas eleições presidenciais de 2008 nos Estados Unidos